A Crise econômica e o movimento sindical
Temos visto que a crise econômica instalou-se em todo o país. Nós, sindicalistas, que somos formadores de opinião, a todo instante estamos ouvindo e sendo interrogados pelos trabalhadores, que não são os causadores da crise, mas estão pagando por ela. O que os sindicatos vão fazer para cobrar dos empregadores e governantes a saída da crise sem que haja demissões?
O movimento sindical já dá sinal de luta. Começou a sair às ruas, cobrando posições dos governantes que, em tese, também não foram os causadores dessa crise que nasceu nos Estados Unidos. No entanto, são eles quem administram o Estado e, portanto, também deve administrá-la e solucioná-la. Solução esta que não deve ser cobrada dos trabalhadores. Empregadores e governo precisam ser criativos para resolver o problema sem ter que negar as reivindicações dos trabalhadores, nem, tampouco, retirar direitos.
O movimento que uniu as centrais sindicais no Dia Nacional de Luta contra a Crise e as Demissões, no último dia 30, é um exemplo de que, quando os trabalhadores resolvem unir-se, os ouvidos dos empregadores e governos ficam atentos, porque eles sabem da força que têm várias categorias juntas cobrando e exigindo seus direitos.
Temos conhecimento de que algumas empresas faliram, contudo, seus proprietários (pessoa física), com pouquíssimas exceções, continuaram ricos. Então, não somos nós trabalhadores que devemos pagar a conta. O governo brasileiro tem implementado algumas medidas paliativas para a crise, por exemplo: a redução do IPI na compra de automóvel e incentivo fiscal para algumas empresas e indústrias se manterem vivas, porém, o que vimos são as demissões em massa.
O governo estadual fala que o momento é para manter a estabilidade do emprego e não se falar de aumento salarial. Mas, é preciso que ele enxergue que a prioridade no momento não é transformar o Estado num ‘canteiro de obras', sem antes atender as necessidades dos trabalhadores. Do contrário, veremos mais categorias fazendo greves, a exemplo dos professores.
Aqui em Aracaju, por ser a capital e onde as grandes mobilizações acontecem, várias categorias de trabalhadores já fizeram greve ou estão em estado de greve. Mas nos municípios a situação não é diferente.
Portanto, o movimento sindical deve permanecer aceso, atento às questões relevantes em relação à crise, para na hora certa reviver as lutas travadas em outras décadas.
Para nós, bancários, este será um ano de difícil negociação. Não que eu seja pessimista, é por saber que os banqueiros usarão a crise como fator para desmobilizar nossa categoria com as mais diversas chantagens e ameaças. Porém, os bancários sempre souberam nas horas mais difíceis encontrar formas para reivindicar seus direitos. Vamos à luta!
(*) Secretário de Cultura e Esportes do Sindicato dos Bancários de Sergipe e funcionário do Banco Real

