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Entrevista José Souza: ‘Gestão de Neirim tem sido morosa nas convocações no BB’

souza_foto_mario_sousa_cinformEsperas, manifestações, angústias e mais esperas. A situação dos concursados do Banco do Brasil aprovados em 2007 segue indefinida em Sergipe. Na última semana, a comissão dos aprovados e o Sindicato dos Bancários, encabeçado por José Souza, fizeram pressão e duras críticas à Superintendência da instituição financeira aqui comandada pelo mineiro Neirim Goulart. Realizaram audiência na última segunda, 9, com dirigentes do banco e à primeira vista obtiveram bom resultado: a validade do concurso será prorrogada até 2011. Bom? Para José Souza, insuficiente: "A notícia por si só não garante nada", afirma.

"Essa informação não é oficial. É verbal. Nós queremos ver isso no papel e por isso mantemos nossa denúncia no Ministério Público do Trabalho - MPT. Mesmo assim, não ficamos satisfeitos, porque a prorrogação não garante que os concursados serão convocados", diz Souza. Segundo o sindicalista, é preciso que o BB reveja a estratégia de remoção automática que garante aos aprovados de concursos anteriores, de diferentes regiões do país, ocupar vagas em qualquer canto do país. "Neirim tem sido extremamente econômico. Adota uma política de freio de mão puxado", critica. Na terça, 10, Souza concedeu entrevista ao CINFORM.

CINFORM - Sob o aspecto legal, existe algo errado na morosidade da convocação dos aprovados do BB?
José Souza - Estamos questionando justamente isso. Fizemos uma denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho - MPT - no dia 17 de fevereiro. É preciso apurar, porque no nosso entendimento não tem cabimento uma empresa estatal precisar de mão-de-obra, realizar concurso público e não chamar. No último concurso, realizado em 2007, constituiu-se um cadastro reserva com 189 pessoas, 95 na capital e 94 no interior. Foram convocados 23 para o interior, dos quais cinco desistiram, e mais cinco para a capital, onde existe o maior número de unidades do banco, sendo que dois desistiram. Desse modo, só assumiram 21 pessoas. Para se ter uma ideia, a última convocação em Aracaju foi há 11 meses.

CINFORM - Na ótica do Sindicato, o que está provocando essa lentidão?
JS - A gestão de Neirim tem sido muito morosa nas convocações. Hoje, o Banco do Brasil é uma empresa focada na ideia de mercado. Essa lógica de administração não é exclusiva de Neirim. Perpassa toda a organização. As agências são estruturadas no modelo enxutíssimo, ou seja, funciona com o menor número de empregados possível, buscando o máximo de rentabilidade e geração de negócios. Eles acham que isso é possível, e nós discordamos. O que gera valor é o trabalho humano. A participação da Superintendência de Sergipe representa aproximadamente 1% do PIB do BB nacional. Por isso, coloca um número reduzido de empregados.

CINFORM - Como está Sergipe diante do resto do país?
JS - Enquanto o Estado da Bahia chamou todos os aprovados nos concursos que fez, Sergipe teve o menor índice de convocação do país. Isso traduz a própria leitura que faz de que aqui não é preciso dotar as agências com um número maior de empregados.

CINFORM - Existe, de fato, demanda para um número mais expressivo de convocações? O que comprova isso?
JS - A cidade de Itabaiana, por exemplo, poderia ter duas agências, entretanto, tem apenas uma. Trabalha com um número reduzido de empregados, funcionando com filas saindo do espaço físico da agência e pessoas desmaiando enquanto esperam. Tobias Barreto é outro exemplo. Naquele local, a economia informal de confecção é muito presente e mesmo assim só há uma agência com cerca de dez funcionários. As agências funcionam na raça. É preciso um novo olhar com relação a elas.

CINFORM - O senhor consegue fazer uma projeção de quantos poderiam ser convocados para minimizar essas dificuldades no Estado?
JS - A partir de 2007, o BB promoveu uma rotatividade de quase 100 funcionários. Somente naquele ano, 78 saíram por aposentadoria ou qualquer outra razão. Em 2008 foi algo em torno de 15, e neste ano, 4. Só aí são 97 afastamentos. A reposição que houve foi de apenas 21 pessoas.

CINFORM - Como foi a audiência com o superintendente do BB, Neirim Goulart?
JS - Ele não participou da audiência. Os gerentes Alcides Araújo e Kátia Rodrigues representaram a instituição financeira. O sindicato e a comissão dos aprovados fizeram a cobrança. A notícia positiva, alvissareira, é a de que foi feito contato com a diretoria do banco e o concurso do BB em Sergipe será prorrogado. Isso significa que a validade vai até 2011. Claro que essa informação não é oficial. É verbal. Nós queremos ver isso no papel e por isso mantemos nossa denúncia no MPT. Mesmo assim, não ficamos satisfeitos, porque a prorrogação não garante que os concursados serão convocados.

CINFORM - E o que pode ser feito efetivamente?
JS - Estruturas do banco daqui foram transferidas para outros Estados, como Bahia e Pernambuco. Parte dos serviços que é demandada aqui em Sergipe garante empregos naqueles Estados. É um problema, inclusive, para o Governo do Estado se preocupar. Os serviços de abertura de conta estão sendo terceirizados. Ou seja, o primeiro contato com o banco é espúrio, feito por pessoas indevidamente qualificadas. Então, o banco precisa rever essa política aqui para o Estado e deixar de transferir estrutura, como fez com a unidade de recuperação de crédito, por exemplo. A notícia que saiu no CINFORM sobre a construção de uma plataforma, assim como a da agência vip para grandes negócios, é boa se gerar espaço para acolher os concursados.

CINFORM - A ausência de Neirim na audiência incomodou de alguma forma?
JS - Não. Ele, através de seus representantes, justificou a ausência dizendo que gostaria muito de ter participado, mas coincidiu com outro compromisso. Não temos nenhuma queixa de ordem pessoal. Já superamos essa fase de auto-afirmação.

CINFORM - O senhor acha que ele tem se esforçado para fazer o processo do concurso ‘andar'?
JS - Não. Muito pelo contrário. Neirim tem sido extremamente econômico. Adota uma política de freio de mão puxado. Ele mesmo está impregnado por essa lógica. Neirim veio para cá com essa ideia de gerar o maior número de negócios possível, tirar ‘leite de pedra', com o menor número de empregados. Essa é a forma ‘moderna' da administração que está sendo adotada pelo BB. Essa orientação não é só para ele, mas para todos em todo o Brasil.

CINFORM - Neirim fala que existem remoções automáticas. O sindicato vê isso como algo problemático?
JS - De certa forma sim. O concursado, pelo edital, tem de ficar 12 meses na unidade da microrregião onde foi aprovado, para ser transferido. Entretanto, um aprovado de outro concurso anterior a 2007, que fez para Quebrangulo, cidade alagoana, ou Jeremoaba, na Bahia, por exemplo, pode pedir transferência para Aracaju. Eles podem ter feito um concurso com nível de dificuldade menor e mesmo assim levar vantagem aos aprovados em 2007. Se a estratégia adotada para o concurso é regional, então o processo automático de transferência não pode ser nacional.

CINFORM - Na Caixa, qual a situação?
JS - Na Caixa, a situação é um pouco melhor do que a do Banco do Brasil. Assim mesmo, marcamos audiência para tratar das expectativas de convocação. No concurso de julho de 2008 foram 1404 classificados para Sergipe. Essa audiência é uma medida preventiva, para evitar o que está acontecendo com o BB. Já houve uma esperteza da Caixa ao fazer o concurso com validade de apenas um ano. Vamos lutar para que prorrogue esse prazo.

CINFORM - Ainda nessa questão de convocações, existe algum problema com os outros bancos estatais, Banese e BNB?
JS - As agências do BNB estão devidamente estruturadas com um número satisfatório de funcionários para prestar bom atendimento. Inclusive, presta um atendimento de natureza muito social, diferentemente do BB, que está focado na ideia de mercado. O Banese realizou concurso, cujo prazo de validade expirou no ano passado. Tentamos que o presidente, à época João Andrade, revalidasse, mas ele não o fez. Naquela instituição, a rotatividade tem sido muito grande. Muitos que ingressaram nos últimos anos têm saído. O Banese precisa realizar um novo concurso e não ficar substituindo por terceirizados a mão-de-obra que está faltando ou aumentar o número de correspondentes bancários que oferece um serviço de péssima qualidade e segurança duvidosa. Vamos cobrar isso ao novo presidente Saumíneo Nascimento. 

Por Breno Lima - 
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