Bancários aprovam aumento real de 10% na Conferência Bahia e Sergipe
Os bancários reunidos na 13a
Conferência dos Bancários da Bahia e Sergipe, que aconteceu em Salvador nos dias
23 e 24, aprovaram, entre outras reivindicações, aumento real de 10%, e o fim
das metas e do assédio moral. Este ano a participação foi ainda maior.
Participaram 252 delegados (29 de Sergipe), que aprovaram a pauta de
reivindicações para a Campanha Salarial 2011. No encontro também foram eleitos
os delegados para a 13ª Conferência Nacional dos Bancários, que acontece em São
Paulo, de 29 a 31 de julho.
A mesa de abertura foi composta por José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe -SEEB/SE; Eduardo Navarro, vice-presidente da FEEB BA/SE e secretário de Comunicação da CTB; Emanoel Souza, presidente da FEEB BA/SE; Augusto Vasconcelos, vice presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia - SBBA; O deputado estadual e bancário Álvaro Gomes; Adilson Araújo, diretor do SBBA e presidente da CTB/BA; Roberto von der Osten, representando a Contraf; Lourenço Ferreira do Prado, a Contec; e Sandra Freitas, presidente do Sindicato de Feira de Santana, representando os sindicatos do interior da Bahia.
A 13a Conferência dos Bancários da Bahia e Sergipe homenageou o dirigente sindical de Vitória da Conquista, Leandro Alves Neres, que foi assassinado recentemente. Foram discutidas várias questões de interesse da categoria bancária, como conjuntura nacional, setor financeiro, campanha salarial, terceirização, saúde, condições de trabalho, segurança, emprego e remuneração.
A cantora e compositora Nadja Meirelles participou da
abertura, no sábado pela manhã (23), cantando o hino da independência do Brasil
na Bahia, o ‘Hino ao Dois de Julho’. Ela também animou o almoço de
confraternização oferecido no Espaço Cultural Raul Seixas do SBBA, no domingo,
24. “A
conferência faz um chamado não apenas ao debate, mas à mobilização, porque
existe a correlação de força. É preciso discutir o rumo do nosso país, mas para
isso é necessário bastante unidade”, afirma Augusto
Vasconcelos.
Para o diretor técnico do Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar – Diap -, Marcos Verlaine, é preciso entender o cenário
em que ocorre essa campanha salarial. “Há uma tentativa de espalhar uma pseudo
inflação para explorar os trabalhadores. Três questões importantes devem ser
levadas em consideração nesta campanha salarial dos bancários: Valorização do
Salário, Isonomia e Segurança Bancária. Tem que haver a disputa e a conquista”,
disse.
“Existe um discurso
de não ser possível reajuste salarial para os bancários, desde os bancos
federais até a Fenaban. Precisamos reconstruir nosso salário. Precisamos pensar
numa estratégia que unifique os trabalhadores. É preciso muita luta para que o
rolo compressor do Sul e Sudeste defenda a valorização dos bancários e respeito
aos clientes”, cobra José Souza.
SISTEMA
FINANCEIRO
“A desregulamentação do Sistema Financeiro está sendo
feita através de normatização do Banco Central. Inicialmente, os correspondentes
bancários deveriam ser criados onde não houvesse banco, mas eles estão sendo
abertos lado a lado das agências bancárias. A inclusão bancária deve ser
trabalhada com responsabilidade. Precisamos de um Sistema Financeiro que atenda
os trabalhadores”, defende Eduardo Navarro.
Para Emanoel Souza, há um avanço do ponto de vista da unidade. “Há uma mesa única com discussão global, mas temos mesas concomitantes dos bancos públicos. Em 2010, houve uma forte paralisação nos bancos privados. Houve aumento real de salário, mas tem que haver reposição das perdas. Nós discordamos da Contraf e da Contec (que defendem apenas 5%). Defendemos aumento real de 10%, fora a inflação. Isso junto perfaz algo em torno de 17%”, defende Emanoel.
Emanoel lembrou que a categoria bancária foi destroçada, não apenas porque foi reduzida de um milhão para 400 mil, mas porque houve uma grande perda salarial. Antes um bancário recebia o equivalente a cinco salários mínimos, hoje, menos de três. “A proposta é avançar nas lutas e acelerar o ritmo. A gente não tem que discutir inflação. Tem que discutir salário real”, reafirma Emanoel.
Para Souza, a CUT comete um equívoco quando quebra o esforço de unir a luta dos trabalhadores. “A CUT decidiu romper com a unidade das centrais. Essa decisão quebra um importante acordo. Tudo que conquistamos no governo Lula, com muita luta, está sendo colocado em risco. A CUT comete um retrocesso nessa leitura. Isso é incompreensão”, critica Souza.
Lourenço do Prado lembrou que esta campanha salarial será difícil como todas as outras. “Vamos enfrentar o setor mais poderoso do Brasil, os bancos. O setor que mais lucra no país. Tem que haver uma mobilização muito grande”, reconhece.

Para Álvaro Gomes, esta campanha salarial
deve enfatizar o atendimento bancário, com segurança para os bancários e
clientes, melhoria no atendimento bancário, redução das taxas de juros. “Mesmo
com a eleição de Lula e depois de Dilma, o segmento financeiro continua sendo
beneficiado. Houve uma melhora, mas ainda é pouco. É pura ilusão achar que vamos
ficar acomodados e ter vitória. É preciso que a gente busque nossos direitos
cotidianamente. É preciso lutar e nunca se acomodar”, disse.
No encontro,
estiveram presentes 252 delegados, sendo 203 homens e 49 mulheres,
representantes dos sindicatos filiados da base da Federação dos Bancários da
Bahia e Sergipe, distribuídos da seguinte forma: Sergipe (29), Irecê (11),
Itabuna (11), Ilhéus, (20), Jequié (9), Feira de Santana (29), Vitória da
Conquista (11), Jacobina (6), Bahia (126).
Veja
abaixo as principais resoluções:
- Aumento real de 10% +
inflação do período
- Piso salarial do Dieese
(agora R$ 2.293,31)
- 15% do lucro líquido
distribuído de forma linear. Garantindo o mínimo de três
remunerações-base
- Fim das
terceirizações
- Fim dos correspondentes
bancários
- Jornada de trabalho de 6
horas diárias
- Fim das
metas
-
Extensão da assistência médica/odontológica para os bancários
aposentados
- Dia Nacional de Luta em
agosto pela segurança
- Atividades conjuntas em
agosto - Mês dos Bancários
- Atividades envolvendo a
sociedade na defesa do consumidor (sessões especiais nas Câmaras de
Vereadores).
Edivânia Freire
Jornalista diplomada DRT/SE
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