Comando Nacional debate importância dos bancos públicos
O Comando Nacional dos Bancários realizou uma oficina nesta quinta-feira (30/5), em São Paulo, para debater a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento socioeconômico do país e construir estratégias para o enfrentamento ao processo de desmonte orquestrado pelo governo Bolsonaro.

O presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, e o secretário Geral, Emanoel Souza, participaram da oficina, juntamente com o diretor Jurídico do Sindicato da Bahia, Fábio Ledo.
O evento começou com uma exposição do economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo sobre Soberania Nacional: projeto de Nação. Para ele, corremos um grande risco de, com base em uma ideologia do século 19, desestruturarmos toda a arquitetura da economia e do patrimônio público do nosso país.
“As pessoas ouvem os comentaristas da Globo News e passam a acreditar que todo o investimento público deve ser cortado e toda empresa pública deve ser privatizada. Precisamos parar de demonizar as coisas. Sem o investimento público o país não sai da recessão”, ponderou Belluzzo, lembrando ainda que, para sair da crise de 2008, os Estados Unidos investiram US$ 4 trilhões de recursos públicos em bancos privados.
O economista disse que o governo e os meios de comunicação prejudicam a imagem dos bancos públicos dizendo que eles não são eficientes. “Na verdade, os bancos privados querem se apropriar dos bancos e fundos públicos para ampliar ainda mais sua capacidade de obter lucros.”
“É fundamental ampliarmos o debate sobre os bancos públicos para a sociedade. Mostrar a importância e a eficiência que eles têm para a implantação de políticas sociais e a contribuição que dão para o desenvolvimento econômico e social do país. Essa é uma argumentação que as pessoas conseguem entender”, explicou. “E não se trata de uma defesa corporativa. Mas, de uma questão central para que a economia do país consiga se recuperar. O mundo todo está vendo que não há nenhuma possibilidade de inclusão sem as empresas e os bancos públicos”, concluiu.

Caixa e BB
A parte da manhã contou ainda com exposições da ex-presidente da Caixa Maria Fernanda Coelho e do ex-diretor do Banco do Brasil Carlos Neto, que falaram sobre a atuação dos dois bancos em áreas estratégicas da economia e de a importância destas instituições para a inclusão dos trabalhadores e da população mais pobre.
A parte da tarde foi dedicada aos trabalhos em grupos para ampliação da luta em defesa dos bancos públicos.
Para o presidente da Feebbase, Hermelino Neto, o sistema bancário é fundamental na economia. Quando é confiável, traz segurança para os investimentos.” Em todos os momentos de dificuldades, os países recorreram justamente a utilizar mecanismos de recursos públicos para salvar a economia ou para alavanca-la. Existem países em que o papel dos bancos públicos é extremamente importante. Esse papel dos bancos públicos chega de 40% a 70% do crédito. Isso é uma cifra muito importante”.
Neto lembra ainda que no Brasil, os bancos públicos têm um peso extraordinário no desenvolvimento do país. “Apesar de todas as crises que passamos, a solidez dos bancos públicos é impressionante. Defender os bancos públicos é defender o desenvolvimento. Atender não apenas a população de baixa renda, mas também seguimentos na infraestrutura e muitos outros. A população ainda conhece muito pouco sobre o papel e a necessidade que temos de defender os bancos públicos. Esta tarefa não pode ser apenas dos seus funcionários, tem de ser algo que extrapole isto e atinja a sociedade como um todo. O nosso grande desafio é fazer com que a população conheça esta realidade com números. Números da habitação, crédito agrícola, infraestrutura, indústria”, acrescenta.
Propostas
A parte da tarde foi dedicada aos trabalhos em grupos para ampliação da luta em defesa dos bancos públicos.
Como ações de mobilização, os dirigentes sindicais vão trabalhar para envolver mais agentes na luta em defesas dos bancos públicos, como a União dos Prefeitos, segmentos empresariais, movimentos sociais, trabalhadores da agricultura familiar e empregados dos bancos.
Foi aprovado também a realização de audiências especiais nas Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e também na Câmara dos Deputados, além de fortalecer a Frente Parlamentar em defesa dos Bancos Públicos.
