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Devolução de dinheiro pode minar empréstimo do BNDES

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que a devolução de recurso do BNDES ao Tesouro Nacional e ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) pode minar a capacidade do banco de emprestar em 2018.

Foi aprovado recentemente por Michel Temer o pagamento antecipado de R$ 180 bilhões em dívidas do banco de fomento ao Tesouro para ajudar a equilibrar as contas do governo.

A participação de mercado do BNDES diminuirá gradualmente, acompanhando a redução das captações de baixo custo provenientes do Tesouro. A agência Fitch acredita que o banco irá priorizar, em sua estratégia de empréstimo a taxas mais baixas, pequenas e médias empresas.

Para a Fitch, a liquidez do banco não deve ser pressionada neste ano, pois R$ 57 bilhões emprestados devem voltar ao caixa do banco até o fim de 2017. Isso significa que, sem considerar novos desembolsos de crédito, o caixa do BNDES ainda ficaria em torno de R$ 147 bilhões em 2017.

A Fitch ressalta que a implementação gradual da TLP, a taxa de juros de longo prazo, pode beneficiar as receitas do BNDES em um período maior, mas a rentabilidade do banco pode ser pressionada em razão do menor volume de empréstimos esperado em função das mudanças estruturais em sua captação.

A nova taxa será corrigida de acordo com a variação dos títulos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), em uma convergência gradual ao longo de cinco anos.

Considerando a última antecipação de pagamento do BNDES ao Tesouro, que ocorreu no fim de 2016 e somou R$ 100 bilhões, o total de dívida devolvida ao Tesouro somará R$ 280 bilhões. Considerando o valor que pode ser devolvido ao FAT, o total sobe para R$ 296,3 bilhões.

Historicamente, o BNDES tem sido a principal fonte de crédito de longo prazo a taxas subsidiadas tanto para grandes companhias quanto para empresas de pequeno porte.

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