Discriminação com os clientes mais pobres
No lugar, os bancos implantam os correspondentes bancários, que prestam apenas alguns serviços oferecidos nos bancos. Hoje, em todo o país, são 300 mil correspondentes e apenas 19.813 agências, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômico).
Desta forma, a população que mora nos bairros periféricos fica sem os serviços de um banco e quando tem de fazer alguma operação perde tempo e dinheiro com o deslocamento. É o que conta a gestora de eventos, Talita Morais.
"Há alguns meses, tive de abrir uma conta bancária na Caixa. Mas, no bairro que moro, Cosme de Farias, não possui agência". Para virar correntista, Talita então teve de ir para Brotas, local mais próximo de casa.
O transtorno não acabou no momento em que achou uma unidade bancária. "Como no meu bairro não tem agência, perco tempo e dinheiro porque tenho de me deslocar", afirma. Para realizar qualquer operação, a gestora de eventos tem de pegar um ônibus para ir até Brotas e um para voltar, ou seja, gasta R$ 5,60 de transporte.
Números do preconceito O bairro de Brotas possui apenas sete agências bancárias para atender os 70.158 moradores. São três unidades da Caixa e duas do Bradesco. Banco do Brasil e Itaú têm uma, cada.
Esse mesmo número ainda tem de atender a demanda de bairros adjacentes como Cosme de Farias, Matatu, Luiz Anselmo e Engenho Velho de Brotas. Muita procura para pouca oferta.
Em contrapartida, nos bairros nobres, como a Barra, a diferença é enorme. São 18 unidades bancárias e uma grande variedade. O Bradesco possui quatro agências, Caixa, Itaú e Santander têm três, cada. Do Banco do Brasil são duas, e BNB, Citibank e HSBC possuem uma, cada.
Praticamente, a cada esquina da Barra tem um local para realizar operações. Fato que não acontece em Cosme de Farias. Talita Morais também reclama da falta de opção. "Se eu tiver de quitar um boleto, que não seja aceito na lotérica, por exemplo, tenho de ir até Brotas", enfatiza.
SEEB-BA
Fora o contratempo do deslocamento, a correntista ainda tem de enfrentar a agência lotada. "Infelizmente, tenho de frequentar a unidade. Você já sofre na hora de pegar a senha, porque a fila é enorme. E na Caixa, se o boleto for de outro banco, você só pode pagar se o valor for acima de R$ 3 mil. Um absurdo", denuncia.
