Feira: Bradesco corta empregos e aumenta a pressão por metas
O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana realizou uma manifestação na agência 0236 do Bradesco, na Rua Conselheiro Franco, em protesto contra as demissões, o fechamento de unidades, o assédio moral e a pressão cada vez maior pelo cumprimento de metas. O ato, que ocorreu na manhã da quinta-feira (23/04), chamou atenção para a política de reestruturação adotada pelo banco, que segue reduzindo postos de trabalho e encolhendo sua presença física mesmo em meio a resultados bilionários. Em 2025, o Bradesco encerrou o ano com lucro líquido recorrente de R$ 24,652 bilhões, alta de 26,1% em relação a 2024.

O banco, a exemplo de outras instituições financeiras, sustenta que a redução da rede presencial acompanha a expansão dos canais digitais. Dados da Febraban mostram que, em 2023, 130,7 bilhões de operações bancárias foram feitas por celular, o equivalente a 7 em cada 10 transações. Já o Banco Central informa que o Pix consolidou sua liderança em 2024, com quase 63 bilhões de operações realizadas no país.
Para o movimento sindical, porém, a digitalização não pode servir de justificativa para desmontar o atendimento presencial. A avaliação é de que a migração acelerada para os aplicativos e plataformas eletrônicas aprofunda a exclusão de parcelas da população que ainda dependem do contato direto com o banco, como idosos, moradores da zona rural e pessoas com acesso limitado à internet ou pouca familiaridade com ferramentas digitais. A própria Febraban registrou queda nas demandas por atendimento pessoal em 2023, reflexo da mudança no comportamento dos clientes, mas isso não elimina a necessidade de manter uma estrutura física capaz de atender quem não consegue resolver tudo pela tela do celular.

Na Bahia, os impactos desse processo já são sentidos com força. Levantamentos sindicais apontam que, entre 2020 e maio de 2025, 134 agências bancárias foram fechadas no estado. Em paralelo, entre janeiro e julho de 2025, o Bradesco desligou 2.466 funcionários em todo o país, média de 11,74 demissões por dia; somente na Bahia e em Sergipe, foram 176 cortes no período. Para o Sindicato, a combinação entre enxugamento da rede, sobrecarga de trabalho e cobrança por metas produz um cenário de adoecimento e precarização, além de comprometer o acesso da população a serviços bancários essenciais.Manifestação denuncia cortes, metas abusivas e fechamento de agências do Bradesco em Feira de Santana
Fonte: Sindicato dos Bancários de Feira de Santana.
