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Filas longas e insatisfação denunciam a precariedade dos serviços bancários em Sergipe

No dia 11 de novembro deste ano o autônomo José Aldo Pereira da Silva levou adiante a decisão de fazer valer os seus direitos. Ele procurou o Ministério Público de Estância – distante 68 quilômetros de Aracaju – para requerer a instauração de uma ação civil pública que venha a disciplinar o atendimento dos serviços bancários à população em tempo hábil. Naquele município, José Aldo tem sido o porta-voz de várias pessoas insatisfeitas com o atendimento deficitário oferecido pelas agências bancárias.

“Existe aqui uma indignação fora do comum com os serviços oferecidos por estas instituições. As pessoas não suportam mais ter que enfrentar filas enormes para resolver seus problemas. Antes das 7h já existe gente amontoada em frente aos bancos”, reclama. “A espera é angustiante tanto nos guichês quanto no atendimento presencial, onde costumamos recorrer não porque queremos, mas porque é necessário fazer acordos, corrigir dados cadastrais e cobranças indevidas de débitos, entre outros serviços”, acrescenta José Aldo.
Segundo ele, muitas pessoas chegam a esperar – na maioria das vezes em pé – mais de duas horas por atendimento. Outras, pasmem, submetem-se a pagar por senhas e assim minimizar o tempo da permanência dentro da agência bancária. “Já cansei de fazer isto. Paguei, sim, por uma senha na Caixa Econômica Federal. É um absurdo? É. Mas o que é que vou fazer se em todos os bancos o caos é o mesmo? Se eles não têm horário para cumprir, eu tenho. Sou trabalhador”, denuncia um auxiliar de enfermagem que prefere não ser identificado.
 
O autônomo Reginaldo Santos também reclama, e diz não lembrar o dia em que foi atendido com menos de uma hora e meia de espera no Banco do Brasil de Estância. E só o fez porque tinha que receber o dinheiro da aposentadoria. “Para pegar uma senha temos que chegar bem cedo. Há muita gente para poucos caixas. Se eles aumentassem a quantidade de funcionários, seria bem melhor”, sugere Reginaldo. Em Estância, há a lei municipal dos 15 minutos para atendimento bancário. ‘NÃO ESTÃO NEM AÍ’Em Itabaiana, distante 56 quilômetros de Aracaju, a possibilidade de melhorias no atendimento bancário é classificada como utopia. “Já ouvi tantas reclamações nas rádios e nunca foi resolvido nada. As filas dão voltas como caracóis e eles não estão nem aí. E nunca somos atendidos. É uma humilhação”, reclama a diarista Sônia dos Santos Góis. Na manhã da última terça-feira, 17, ela havia chegado à agência às 9h30 e às 12h40 ainda não tinha sido atendida. “Saí rapidinho para comer alguma coisa e quando voltei a senha marcava o mesmo número. Deixei de fazer outras coisas por causa deste banco”, acrescenta Sônia. Em Itabaiana, a Câmara havia aprovado a lei de tolerância para o atendimento bancário, dando 30 minutos, mas um vereador emendou e baixou para 20. Não atendida.

A professora Vânia da Conceição já ficou das 11h às 16h aguardando atendimento na agência do Banco do Brasil de Itabaiana, onde é correntista. “Já passei por muitas situações constrangedoras. Vi pessoas passando na frente só porque têm muito dinheiro. Estou prestes a encerrar a minha conta porque isto é falta de respeito”, desabafa a professora. A reportagem do CINFORM esteve em Estância e em Itabaiana na última terça-feira, dia 17. Por volta das 9h30, a agência do Banco do Brasil – localizada na praça Orlando Gomes, em Estância –, ainda estava tranquila.
 
De acordo com o gerente Antônio Carlos Pereira Gomes, os dias de maior fluxo concentram-se no final e no início de cada mês. Diariamente, as filas aumentam sempre no final do expediente. “Temos quatro caixas trabalhando, mas hoje há apenas dois em função de serviços internos”, informa Gomes. Para José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários do Estado – Seeb –, o serviço oferecido pelas agências de todo o país é ruim e precisa melhorar. “Em Sergipe, a situação mais crítica está localizada em Itabaiana e em Tobias Barreto, por serem duas cidades com economia dinâmica. Isto gera uma movimentação extremamente desigual entre bancários e população. Inclusive, este foi um dos quesitos mais discutidos durante a nossa campanha salarial”, informa José Souza. LEI DOS 15 MINUTOSQuando questionado sobre a Lei dos 15 minutos – que prevê multas aos bancos que não cumprirem o limite estabelecido para o tempo de espera nas filas, e que ‘é’ válida em Aracaju –, Antônio Carlos, gerente da agência do Banco do Brasil de Estância, desabafa: “Em nenhum banco do país a lei é cumprida”. Segundo ele, para que isto seja possível, é necessária a utilização consideravelmente maior das tecnologias, o que nem sempre se pode encontrar nas agências. José Souza destaca que em Aracaju a Lei dos 15 Minutos só vem sendo cumprida em algumas agências graças à ação da imprensa, que sempre está atenta às reclamações da população. No interior a lei não funciona.
 
Rubem Hasen, superintendente do Banco do Brasil em Sergipe, reconhece as deficiências da agência de Itabaiana e elege as constantes falhas nos cashs como ‘número um’ na lista de reclamações. “Isto não acontece apenas aqui, mas na maioria das agências. Temos providenciado conserto e substituição das máquinas. E, por ser uma cidade-polo, com grande volume de negócios, Itabaiana merece uma estrutura melhor, mais confortável e mais pessoal trabalhando. Pessoalmente, irei providenciar isto”, garante o superintendente. Um colega seu já havia prometido isto antes.

Antonio Luiz Figueiredo, gerente da agência de Itabaiana, destaca que todos os terminais de autoatendimento foram renovados. “Agora temos sete deles e estamos instalando mais um até o fim do ano. Também serão instalados terminais externos, um no Supermercado Josias Peixoto e outro na AABB”, informa Figueiredo. Segundo ele, esta problemática está sendo estudada junto ao MP e ao poder público municipal. “No início de 2010 começarão as obras de ampliação da agência. A reforma duplicará o espaço de atendimento e oferecerá mais comodidade à população”, promete o gerente.

Ele ressalta que apesar das limitações de espaço a agência está em dia com a aplicação da lei de acessibilidadade, que dá prioridade de atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. “Nos últimos cinco meses, também ampliamos o quadro de pessoal, acrescentando três novos funcionários”, argumenta Antonio Luiz Figueiredo.

José Souza destaca que a Caixa Econômica tem cadastro de reserva com mais de mil aprovados e ‘não contrata porque não quer’. Segundo o sindicalista, durante a campanha salarial ficou determinada a contratação de mais 5 mil funcionários até o fim de 2010. O Banco do Brasil também se comprometeu em contratar mais 5 mil em 2010 e outros 5 mil no ano seguinte – isto no Brasil inteiro e, claro, ‘sobraria’ para Sergipe.

Alessandra Cavalcanti - \n O endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript para vê-lo.
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