Funcionário dos Correios: “Trabalhamos como banco sem estrutura de banco”
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Um funcionário de uma das agências dos Correios do Sudoeste baiano, cansado e indignado com a violência e os constantes assaltos, fez um desabafo da situação que ele e seus colegas enfrentam diariamente em seu trabalho, principalmente após a empresa passar a funcionar como banco postal do Bradesco.
Para evitar retaliações, a identidade do funcionário vai ser mantida em sigilo.
O Piquete Bancário - Após o contrato com o Bradesco, como ficou a situação das agências dos Correios?
- Os Correios não estavam preparados para isso. Trabalhamos como banco sem estrutura de banco. Talvez algumas unidades tenham se adaptado, mas não somos apenas algumas unidades, somos uma empresa presente em cada município deste imenso país. Não restam dúvidas dos benefícios proporcionados pelo banco postal, inclusive dos empregados, mas essa parceria tem trazido mais resultados para os bancos do que para nos. Uma breve consulta aos colegas economistas de nossos quadros poderá evidenciar o quão rápido foi o retorno que o Bradesco obteve através do efeito multiplicador keynesiano. Tenho consciência da motivação política que gerou essa relação, mas vou tentar mostrar o caminho da mudança.
- O que sugere?
- Acredito que o contrato com o Bradesco seja de adesão, pois as clausulas são fixadas unilateralmente pela Administração, que está vinculada às leis, regulamentos e ao principio da indisponibilidade do interesse público. É preciso requisitar junto ao setor de segurança os números de assaltos após a implantação do Banco postal na Bahia. Os impressionantes números servirão de subsídio para possíveis alterações no contrato.
- Como vê o problema de segurança dos Correios?
- Tenho certeza de que o problema da segurança não é uma exclusividade dos Correios, mas a facilidade oferecida por nossa empresa é sem igual. Os equipamentos disponíveis na maioria das nossas agências são: fechadura de retardo, câmera de segurança e alarme. Penso que esses equipamentos apenas assegurem o patrimônio físico da empresa, não oferecendo obstáculos aos assaltos. Necessitamos de meios mais concretos para trabalharmos mais tranqüilos, principalmente nas cidades pequenas.
- O que precisa ser feito para melhorar a segurança nos Correios?
- É preciso ter seguranças armados: não conheço nenhum banco que não tenha pelo menos um segurança armado, não que isso impeça o assalto, mas a presença de um homem armado, com certeza intimida qualquer tipo de ação; portas giratórias com detectores de metais; parcerias com o governo do estado junto a Secretária Estadual de Segurança Pública; utilização de vidros nos guichês, como nas Lotéricas; e qualificação dos funcionários na área de segurança.
SEEB-VC

