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Greve dos bancários em Conquista: Nota de esclarecimento

A greve nacional dos bancários, iniciada no último dia 19 de setembro, na busca por melhores condições de trabalho e atendimento decente para os clientes, já chega ao 16º dia e permanece sem solução. Balanço das entidades sindicais apontam que 11.406 agências e centros administrativos do país foram fechados até ontem, 4 de outubro. Em Vitória da Conquista, 21 agências estão com atendimento suspenso ao público.

Entrevistado
Na base do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região, que abrange 45 municípios do sudoeste baiano, mais de 900 bancários estão paralisados e exigem que a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) retome as negociações, pois, a última proposta apresentada no dia 5 de setembro não contempla os anseios dos mais de 500 mil bancários de todo o Brasil. 
 
Preocupados com os prejuízos nas vendas e o impacto para lojistas e trabalhadores do setor, representantes das entidades ligadas ao comércio reforçam a necessidade da retomada das negociações por parte dos banqueiros e governo federal.
 
Entendendo esses riscos, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) encaminhou uma carta à Fenaban solicitando um acordo imediato entre patrões e bancários.

Caso o movimento grevista se estenda até o quinto dia útil do mês, próxima segunda-feira (7), os impactos serão ainda maiores, em função da demanda por depósitos dos salários e encargos trabalhistas. As perdas, calculadas pela CNDL, podem chegar a até30% em todo o comércio. 
 
Em Vitória da Conquista, o Sindicato dos Comerciários alerta que uma das dificuldades está relacionada à impossibilidade de pagamento dos salários dos comerciários, além da aflição dos trabalhadores que reclamam da queda nas vendas. A entidade também destaca que o acesso aos meios alternativos nem sempre é viável para todos os públicos.
 
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a greve não interfere apenas na ausência do numerário. O representante da entidade, Marcos Alberto, alerta que há uma interferência psicológica, que gera a inibição do consumo.
 
Mesmo havendo possibilidades de finalizar as compras a prazo, o cliente deixa de querer comprar ou pagar.  Ele também avalia que todos estão sendo afetados pelo impasse e lamenta a ausência de negociações. “Quando há radicalismos, os dois lados perdem”, afirma Alberto.
 
Na visão da Associação Comercial Conquistense, os impactos da greve também podem ser sentidos em relação a aspectos mais específicos. “Alguns bancos não estão disponilizando a possiblidade de fazer depósitos nos caixas automáticos, nem em cheque e nem em espécie. Outra questão é quanto às cédulas menores para troco. Não podemos punir o consumidor com balas ou afins. Devemos passar o troco, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor. Nós, do comércio conquistense, já estamos passando por dificuldades em relação à mobilidade, a problemas com a seca do semi-árido e os impactos da greve são um agravante a mais. Somos parceiros comerciais, com interesses afins e nos solidarizamos com a breve solução desse impasse. A classe bancária merece uma postura melhor por parte dos banqueiros", aponta a representa da Associação, Claudia Dutra. 
 
O impasse é grande e até mesmo a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados vê uma falta de perspectiva para o final do movimento. Como a Fenaban não sinaliza com negociações, a referida comissão solicitou uma audiência pública entre banqueiros e bancários. A reunião deve ser realizada na próxima semana.
 
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