Greve dos bancários em Sergipe entra no 26º dia
Vinte e seis dias de greve nacional dos
bancários. Durante todo este tempo em que a sociedade acompanhou as negociações
entre a categoria e a Federação nacional dos Bancos - Fenaban -, diversas foram
as discussões e embates travados pelos dois lados. Iniciada no dia 23 de
setembro já com a adesão de servidores da maioria dos bancos atuantes em
Sergipe, até a última sexta-feira, dia 16, só restavam no movimento o Banco do
Estado de Sergipe (Banese), a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste. Os
bancários do Banco do Brasil e dos bancos privados decidiram voltar ao trabalho
na assembleia realizada no último dia 9.
Eles aceitaram a proposta apresentada pela Federação
Nacional dos Bancos – Fenaban – de 6% de reajuste em todas as verbas, sendo 4,5%
de reposição da inflação e apenas 1,5% de aumento real. Outro ponto da proposta
é maior PLR - Participação nos Lucros e Resultados -, sendo que os empregados do
BB conseguiram, na negociação específica, mais 3%, somando 9% no salário
base.
Por meio de uma
assembleia realizada na última quarta-feira, dia 14, os bancários lotaram o
auditório do Sindicato e aprovaram a continuidade da greve na Caixa Econômica,
no Banese e no Banco do Nordeste. Apesar de longa, a greve continua crescendo.
Na última sexta-feira, dia 16, mais cinco agências do Banese aderiram ao
movimento, atingindo um total de 74 agências paradas no Estado: são 40 do
Banese; 20 da Caixa e 14 do Banco do Nordeste.
No caso específico do Banese, o embate entre bancários e banco segue em negociação local. A alta direção do banco se nega a atender as reivindicações da minuta específica dos baneseanos. para acabar de vez com a situação, o banco resolver entrar com um pedido de liminar no Tribunal Regional do Trabalho - TRT - solicitando a decretação da ilegalidade e ou abusividade da greve dos bancários.
O Sindicato dos Bancários de Sergipe foi convocado para uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na manhã da última sexta-feira, 16, para tratar do pedido de dissídio coletivo instaurado pelo Banco do Estado de Sergipe. A desembargadora-presidente do TRT Sergipe, Maria das Graças Melo, negou o pedido de liminar e realizou uma audiência de conciliação. Como não houve entendimento entre o banco e o Sindicato, foi marcada nova audiência para a próxima quarta-feira, dia 21, às 9h30.
“O Banese se nega a dialogar com o
Sindicato para atender as reivindicações da categoria. Como não conseguiu
convencer os baneseanos a voltar ao trabalho com a proposta/cópia da apresentada
pela Fenaban, o banco tenta vencer na força, no tapetão”, critica José Souza,
presidente do Sindicato dos Bancários.
“A CTB entende que é importante que esse conflito possa ser resolvido o mais rápido possível, pois essa situação não interessa nem aos bancários, nem aos bancos e nem aos usuários dessas agências. Assim, esperamos que a direção do Banese tenha bom senso, e sente-se à mesa de negociação com uma proposta real”, a firma o presidente da Central Única dos Trabalhadores – CTB -, Edival Góes, que participou da audiência de conciliação no TRT.
Edival destacou o apoio da entidade à greve dos bancários, principalmente à luta dos baneseanos. “O Banese deve ampliar a discussão com a categoria, para que assim se possa avançar na negociação. O banco deve apresentar uma proposta mais justa para os trabalhadores, pois até agora as propostas apresentadas não contemplaram os pontos que constam na minuta específica apresentada ao banco desde o mês de agosto”, disse.
O procurador do Ministério Público do Trabalho Ricardo Carneiro se predispôs a fazer uma mediação entre o Sindicato e o Banese na próxima segunda-feira, dia 19, às 14 horas. Também na segunda-feira acontece assembleia dos bancários, às 17 horas, para avaliação. A população, além de bancos e bancários, aguarda ansiosa pelo fim de mais esta guerra.
