Mais respeito com os bancários, Felipão
Causou
grande constrangimento e revolta entre toda a categoria bancária, em
particular os funcionários do BB, a infeliz e inconsequente declaração
do novo técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, “Felipão”.
Ao anunciar o ritmo de trabalho a adotar no time, afirmou, em uma
espécie de alerta para os jogadores a serem convocados, que “quem não
quiser pressão vá trabalhar no Banco do Brasil, onde a pessoa se senta e
não precisa fazer nada”.
O fato gerou protestos e revolta em todo o país, não apenas dos bancários e do BB, mas de outras categorias trabalhadoras, que manifestaram solidariedade. Notas públicas de repúdio foram divulgadas pelo Sindicato dos Bancários da Bahia, Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e Banco do Brasil.
Nos textos de todas as notas públicas, argumentos em comum. A cobrança de respeito aos funcionários e ao BB, a denúncia do desconhecimento por Felipão da realidade vivida pelos trabalhadores do sistema financeiro e os votos de que o novo treinador seja bem mais feliz no comando da Seleção Brasileira do que na avaliação do desempenho profissional dos funcionários do BB.
O mais grave é que a declaração de Luiz Felipe Scolari acontece justamente em um momento quando os funcionários do BB enfrentam uma dura disputa com a direção do banco, que ameaça suspender férias, folgas e abonos para forçá-los a compensar os dias parados na greve da campanha salarial deste ano.
Nota de repúdio
O
Sindicato dos Bancários repudia o lamentável comentário do técnico da
Seleção Brasileira de Futebol, Luiz Felipe Scolari, que em sua primeira
entrevista coletiva, no dia 29 de novembro, disse que "se o jogador não
quiser pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil”. Além de
desrespeitosa, a declaração revela um despreparo inaceitável para alguém
que volta a ocupar um dos cargos em que o povo brasileiro deposita
grande confiança.
Scolari revela ainda ignorância no que se refere à realidade vivida pelos bancários, que enfrentam assédio moral e retaliações por conta da recente campanha salarial. Além disso desprestigia uma das maiores instituições nacionais – o Banco do Brasil -, que é talvez o maior patrocinador do esporte no País. Nos últimos anos, o vôlei do Brasil, patrocinado pelo banco, acumula nada menos que quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas (duas no masculino e duas no feminino).
Euclides Fagundes Neves
Presidente
A reação das lideranças
Emanoel Souza – presidente da Federação da Bahia e Sergipe
O
novo técnico da Seleção Brasileira não tem a menor ideia do que é ser
funcionário de um BB. Viver pressionado diariamente para cumprir metas,
ser sequestrado e ameaçado de morte. Começou mal, seria melhor dizer
como vai controlar os milionários jogadores da seleção, que devem ao
país a alegria do hexacampeonato.
Adilson Araújo – presidente da CTB
Felipão
mostra total desconhecimento sobre o trabalho bancário, uma das
atividades com maior incidência de doença ocupacional e também uma das
que mais sofrem com o assédio moral, a precarização do trabalho e a
exploração. Realmente um desrespeito com nós, da categoria, e também com
os demais trabalhadores do país.
Euclides Fagundes – presidente do Sindicato da Bahia
Uma
ironia do destino que não tem desculpa. Enquanto nós, bancários,
realizávamos manifestações nas principais agências do BB contra a
política antissindical e autoritária do banco, que viola o acordo
coletivo, Luis Felipe Scolari, declara que quem não quer sofrer pressão
tem de trabalhar na empresa. Uma ignorância sobre a realidade do
bancário, que hoje, além do assédio moral, tem de conviver com a
insegurança nas agências. Ainda nesta semana um gerente do BB foi
sequestrado e amarrado a explosivos.
Augusto Vasconcelos – vice-presidente do Sindicato da Bahia
Trata-se
de declaração infeliz, porque não leva em consideração as condições de
trabalho cada vez mais adversas da atividade bancária. Desejamos sucesso
para o trabalho do técnico e da seleção, mas não podemos deixar de
fazer o contraponto a uma opinião que não leva em conta o nível de
estresse e adoecimento presente em na categoria.
Olivan Faustino – secretário-geral do Sindicato e funcionário do BB
Até
setembro deste ano, o Banco do Brasil conseguiu um dado histórico: R$ 1
trilhão de ativos. O recorde só foi possível graças ao trabalho diário
dos funcionários, pressionados pela direção da empresa. Portanto, a
declaração de Felipão nada condiz com a nossa realidade. Foi um
comentário de um péssimo gosto.
SEEB-BA
SEEB-BA
