Negociação específica na Caixa não avança
Crédito: Contraf-CUT
Sem avanços
"A Caixa seguiu a linha da Fenaban e não avançou nas propostas específicas dos empregados, como a PLR Social, condições de trabalho e ampliação de quadro de funcionários. O banco não colaborou no sentido de compor uma proposta decente com a Fenaban. Temos como saída engrossar a greve da categoria na próxima terça-feira", afirma Jair Ferreira, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).
De acordo com o dirigente, o banco se comprometeu a cumprir a regra da PLR estabelecida na Convenção Coletiva, mas não garantirá a PLR Social, alegando que a depender do valor definido na mesa da Fenaban o valor poderá ficar além do teto estipulado pelo governo.
"A PLR social independe da estabelecida pelo acordo com a Fenaban. Sua função é justamente considerar os resultados de operações para a população que não impactam o lucro, mas que representam importante incremento no desenvolvimento social e que são fruto do esforço e dedicação dos empregados. Não existe possibilidade de fechar acordo sem que haja esta inclusão", ressalta Jair.
Em relação à ampliação do quadro de pessoal, a Caixa disse que pretende chegar até dezembro de 2013 com 95 mil empregados, sendo que hoje o número é de 89 mil. "Nossa proposta é de 100 mil bancários até dezembro de 2013. Esse número é o mínimo necessário para suprir as atuais carências e considerando as 500 novas agências que o banco deve abrir até 2013. Além disso, por conta do cumprimento das demandas sociais que o governo tem colocado ao banco e à política de redução de juros, a carga de trabalho tem aumentado muito", salienta Jair.
Saúde Caixa
A Caixa propôs o custeio de 50% do valor de medicamentos de uso contínuo, englobando uma lista que inclui em torno de 50 remédios não subsidiados pelo SUS. Outro ponto diz respeito à manutenção do Saúde Caixa para filhos dos empregados, com idade entre 21 e 27 anos. Hoje eles podem ser incluídos no plano, desde que estejam cursando a primeira graduação e não tenham renda.
Promoção por mérito
Para que os empregados tenham pontuação na obtenção da promoção por mérito, um dos critérios objetivos é realizar no mínimo 100 horas de curso na Universidade Caixa durante o ano de 2012. "Nossa proposta é que este número seja reduzido para 70, já que muitos empregados manifestam insatisfação, pois preveem que não conseguirão atingir esse número devido à alta carga de trabalho", explica Jair. "A Caixa propôs redução para 90 horas, o que não resolverá o problema", enfatiza.
Outro ponto proposto pelos bancários é o de contabilizar horas mínimas do curso dentro do próprio expediente. Mas o banco não tem posição sobre isso.
Tesoureiros
Os tesoureiros enfrentam condições desumanas de trabalho, mas a Caixa não apresentou nenhuma solução na mesa de negociação. O banco, ao criar o Plano de Funções Gratificadas (PFG) em 2010 para substituir o antigo PCC, resolveu diminuir de 8 horas para 6 horas a carga horária de trabalho das funções técnicas, mas manteve o tesoureiro, antigo técnico de operações de retaguarda TOR, com jornada de 8h.
"Ao contrário do que defende o movimento sindical, o banco não o considera como função técnica. Como a maioria das unidades possui apenas um tesoureiro, eles são os primeiros a entrar e os últimos a sair, portanto, mesmo fazendo 8h são obrigados a extrapolar a jornada todos os dias, quase sempre além do limite legal e na maioria das vezes não as registrando. O excesso de tarefas é gigante e as pessoas estão no limite", denuncia Jair.
Outro ponto que piora as condições dos tesoureiros é o fato de a Caixa ter colocado estes empregados como responsáveis pelo novo projeto, o "Bela Agência". Para o coordenador da CEE/Caixa, "a iniciativa do projeto é boa. A Caixa destina uma verba para que as agências contratem serviços de manutenção de pequena monta diretamente, sem depender da área de logística, simplificando o processo. O problema é que sobrecarregou ainda mais estes empregados com atividades que não dizem respeito a sua função, como levantamento das condições da agência tais como, problemas de vazamento, de jardinagem, com móveis e equipamentos, pintura, piso danificado etc". Sobre a saúde do trabalhador, a Caixa marcou posição contrária à proposta dos bancários sobre implantar estruturas específicas, no mínimo uma por estado, para atendimento da saúde do trabalhador e Saúde Caixa.
Outros pontos debatidos
A Caixa informou sobre a divulgação da Comunicação Eletrônica (CE) da VIPES/DEPES nº 017, de 2012, que orienta todas as unidades da rede a respeito da proibição de divulgação de ranking, conforme previsto na Convenção Coletiva.
A Caixa se comprometeu ainda a não considerar o limite de idade da criança adotada para que os pais tenham direito à licença-adoção, que hoje é de 12 anos. Além disso, deve ampliar de um para dois dias por ano a licença para acompanhamento da internação de pessoa da família do empregado.
O banco negou ainda a extensão do ATS e licença prêmio para os novos empregados.
Principais reivindicações específicas dos empregados da Caixa
Os dirigentes sindicais enfatizaram a necessidade de atendimento da pauta específica dos empregados, destacando as principais reivindicações: ampliação do quadro de empregados (chegando a no mínimo 100 mil até o fim de 2013), cumprimento da jornada de seis horas sem redução de salários para todos os empregados independente da função, melhores condições de trabalho, ATS e licença-prêmio para todos, solução dos problemas do Saúde Caixa, fim à discriminação dos participantes do REG/Replan não-saldado e do voto de Minerva na Funcef, tíquete para os aposentados e pagamento integral de toda hora extra realizada.
Fonte: Contraf
