Pouco avanço na negociação com o BNB
Em um primeiro momento, as entidades discutiram as cláusulas de benefícios contidas na minuta específica entregue ao Banco no começo da Campanha Salarial, que vão da cláusula 1ª à 16ª. Dentre estas, a busca pela isonomia no que concerne à licença-prêmio foi pauta presente na negociação. O Banco informou que não pode expandir o benefício a todos os seus funcionários por uma questão de falta de ingerência sobre o assunto. “O Banco não tem poderes para fazer isso”, disse Eliane Brasil, superintendente de Desenvolvimento Humano do BNB.
Nas demais cláusulas de benefícios, o que se viu foi uma série de evasivas e tergiversações dos representantes do Banco do Nordeste para não compartilhar com nenhuma das reivindicações que constavam na minuta específica das entidades componentes da Comissão Nacional. O Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais - o famigerado DEST - foi citado diversas vezes como o grande empecilho a muitas das reivindicações pretendidas pelas entidades. O Banco não pode atender ao que reivindica as entidades? É tudo culpa do DEST. Essa estratégia de esquiva não é mais nenhuma novidade nas mesas de negociação, já sabe-se de cor e salteado. No entanto, até quando esse eximir-se de responsabilidades perdurará - jogando sempre a batata quente para um órgão de Brasília - é a pergunta que fica.
Após a discussão em torno das cláusulas de benefícios, alguns tópicos específicos foram trazidos à tona. Em relação ao assédio moral, ficou acordado que para a próxima reunião as entidades e o Banco trarão nomes para a formação de um grupo de trabalho que vai debruçar-se sobre essa problemática que tem ocorrido com freqüência dentro do Banco do Nordeste. No que diz respeito a denúncias de falta de isonomia em algumas Centrais de Retaguarda Operacional (CRO), onde funcionários exercem as mesmas tarefas, mas não são comissionados, a superintendente comprometeu-se em trazer na próxima reunião um parecer detalhado sobre o estudo que está sendo feito pelo Banco no que concerne às CROs.
Outro assunto abordado foi o ponto eletrônico, reivindicação das entidades de longa data: mais uma vez, tergiversação em alto grau e promessas de o ponto eletrônico sair do campo das idéias e finalmente ser implantado no Banco apenas em meses, quiçá mais de ano, provavelmente. Com relação a eses dois últimos assuntos, a CNFBNB sinalizou para o Banco que deverá buscar a via judicial caso as pendências não sejam resolvidas o mais rápido possível.
Comissões paritárias Camed e PCR
Para não dizer que na reunião não houve nenhum avanço, as comissões paritárias da Camed e da revisão do PCR foram, enfim, formadas. Vale lembrar que, pelo planejamento inicial, essas comissões já deveriam ter apresentado levantamentos e resultados no final de 2010 e somente agora estão sendo formadas, com prazo de 60 dias para apresentarem respostas.
Na comissão da Camed, a composição ficou assim: do lado das entidades, Marcelo Luz (aposentado) e Adjair José; pelo Banco, Lidiane Dutra e Mauro. Na oportunidade, as entidades aproveitaram para manifestar seu protesto veemente contra mais um reajuste abusivo das taxas cobradas pela Caixa de Assistência Médica dos Funcionários BNB, a partir do corrente mês.
Já em relação à comissão do PCR, os representantes das entidades serão a presidente da AFBNB, Rita Josina, e mais um a ser nomeado até o final dessa semana; José Moura Fé e Cláudia Themóteo foram os nomes inidicados pelo Banco. A formalidade de início de trabalho dessas comissões se dará na próxima segunda-feira, dia 10, em reunião no Passaré. Vale ressaltar que os nomes ainda não são definitivos e podem ser trocados até a data da reunião supracitada.
A próxima reunião da mesa de negociação ficou agendada para o próximo dia 20 de janeiro. Para esta oportunidade, as entidades que compõem a Comissão Nacional esperam mais avanços concretos e significativos e não apenas explicações para não acatar às reivindicações solicitadas.
Entidades presentes
Estiveram presentes à reunião com o Banco a AFBNB, representada por Assis Araújo; a Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), representada por Tomaz de Aquino; o Sindicato dos Bancários de Alagoas (SEEB-AL), na figura de Alexandre Timóteo; o Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB-CE), por meio de Océlio Silveira; o Sindicato dos Bancários do Piauí (SEEB-PI), representado por Lusemir Carvalho; e o Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB-RN), representado pelo diretor Francisco Ribeiro de Lima (Chicão).
