Quatro engrenagens que empobrecem via crédito no Brasil
Poupança regressiva: depósitos populares com baixa remuneração financiam crédito caro para quem tem maior capacidade de pagamento; spread acima de 20 p.p.; uso de fundos trabalhistas e sociais como lastro ampliou margem do sistema.
Selic que age via câmbio: juros altos atraem capital, valorizam o Real e derrubam a inflação pelo câmbio, não pelo consumo; efeito colateral é crédito caro, menos investimento e pressão sobre o emprego.
Consignado com benefícios sociais: benefícios assistenciais inclusive infantis viraram garantia de empréstimos; cerca de R$ 12 bi lastreados em benefícios infantis, R$ 20 bi em programas assistenciais; 2,6 mi de beneficiários do BPC com consignado; 1 em cada 6 no Bolsa Família.
Cartão e rotativo: a inclusão cresce, mas o rotativo é caro e arriscado; nas fintechs, saldo devedor saltou de R$ 14,3 bi para R$ 74,1 bi (2019–2022).
A conta para as famílias
Endividamento: 49,1% da renda anual comprometida; 28,8% da renda mensal vai para dívidas.
Custo e risco: crédito livre 58,7% a.a.; inadimplência 4%; spread médio 20,8 p.p.
Pautas prioritárias
Práticas responsáveis: reduzir rotativo, adequar produto à renda e à finalidade, reforçar avaliação de capacidade de pagamento.
Educação e transparência: CET claro, simulações objetivas e renegociação orientada.
Proteção e desenvolvimento: regras mais protetivas para consignado social e estímulo ao crédito produtivo regional (MPEs e emprego).
Fonte: Contraf Cut (https://contrafcut.com.br/)
