Santander não está nem aí para seus funcionários
Em negociação com a Comissão de Organização dos Empregados (COE) nesta quarta-feira (4/8), a direção do Santander deu mais uma demonstração de falta de interesse pelas demandas dos trabalhadores. Apesar de ter recebido a pauta de reivindicação desde 22 de junho, a empresa não apresentou propostas para resolução da maior parte dos problemas apresentados.
A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe foi representada na negociação pelo vice-presidente, José Antônio dos Santos.
Na reunião, os representantes dos trabalhadores cobraram mais contratações; respostas para descontos relacionados à gastos nos plano de saúde feitos diretamente na conta corrente dos bancários; retorno ao trabalho presencial e utilização do WhatsApp Business.
Para começar, a COE cobrou a contratação de mais funcionários para atender a demanda crescente do número de clientes do banco. Com quadro reduzido, os bancários estão adoecendo, devido a sobrecarga de trabalho e a pressão pelo cumprimento de metas cada vez mais altas.
O Santander alegou que promoveu duas mil contratações. O número foi questionado porque o último balanço do banco mostra que houve apenas 78 contratações no semestre.
“Essas duas mil contratações, se realmente ocorreram, foram de trabalhadores terceirizados e não de bancários. Ou seja, o Santander está fatiando trabalhadores por categorias, retirando direitos e precarizando cada vez mais o trabalho. E é revoltante o banco alegar, em mesa de negociação, que a automatização e a mudança de processos internos dentro nas agências resultaram em redução de trabalho para os bancários, porque não é isso que constatamos diariamente. As agências estão lotadas e os trabalhadores estão sobrecarregados e cada vez mais adoecidos” , ressaltou a coordenadora da COE Santander, Lucimara Malaquias.
Desconto do plano
Outro ponto em debate foi a cobrança da mensalidade da assistência médica para trabalhadores afastados sem complementação salarial. A COE pediu que o banco revisse a decisão de fazer o desconto do plano na conta corrente dos bancários afastados por problemas de saúde sem complementação salarial. A reivindicação é para que a cobrança seja na folha de pagamento, com desconto parcelado dos valores após o retorno ao trabalho.
O banco alegou que isso só ocorre quando não há saldo na folha de pagamento e que, no seu entendimento, sempre que utilizado, o convênio médico precisa ser pago.
A COE respondeu que esses trabalhadores já se encontram em uma situação extremamente delicada causada pela doença, e enfatizou que utilizar o convênio médico não é uma opção. Os trabalhadores são obrigados recorrer ao plano de saúde. É uma situação que está acima da escolha e é justamente nestes momentos da vida que eles mais utilizam o convênio médico. Também afirmou que, ao contrário do trabalhador, o banco tem totais condições de arcar com esse custo durante o afastamento sem complementação, e só efetuar os descontos quando o trabalhador retornar ao trabalho, com os devidos parcelamentos que facilitem a vida do trabalhador.
O Santander alega que é responsabilidade do funcionário prever este custo e, portanto, ter dinheiro em conta para efetuar esse pagamento. Os representantes dos trabalhadores discordaram da justificativa e o RH se comprometeu a retomar discussão interna na empresa e dar uma resposta sobre este tema nos próximos dias.
Retorno ao presencial
O Santander informou que, a partir da segunda quinzena de agosto, fará o retorno gradual dos trabalhadores para atividades presenciais. Permanecerão em casa os trabalhadores de maior risco, mesmo os que tiverem sido vacinados com as duas doses da vacina contra o novo coronavírus. Afirmou ainda que não é possível informar o percentual de retorno presencial agora, porque o número pode variar muito, considerando as condições de cada área e a necessidade do trabalho presencial.
A COE discordou do retorno presencial tencionado pelo banco, pois entende que é um risco grande para todos os envolvidos, já que, mesmo quem tenha tomado as duas doses, poderá não estar imunizado, ou contaminar outras pessoas. Essa discussão será retomada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, mas a COE já ressaltou ao Santander o risco que o banco assume ao obrigar os trabalhadores ao retorno presencial.
WhatsApp Business
O Santander informou que está proibida a utilização do aplicativo WhatsApp Business para tratar de assuntos relacionados ao banco, devido a uma questão de segurança da informação. Também informou que o número de telefone fixo da mesa, que antes era no banco, agora foi transferido para os notebooks e computadores, e que disponibilizou um guia com orientações para utilização do WhatsApp, disponível na academia do Santander, para o caso de o bancário utilizar o aplicativo para conversas com o cliente.
A COE recomenda que os bancários não utilizem os WhatsApp para conversar com o cliente, porque isso envolve segurança da informação e uma porção de questões que podem resultar em responsabilização do trabalhador. Orienta ainda a utilização apenas dos canais institucionais disponibilizados pelo Santander.
Caso o gestor continue pressionando para que faça atendimento pelo WhatsApp pessoal, ou para que permaneça utilizando o WhatsApp Business, os bancários devem denunciar ao sindicato, que irá informar o RH para que oriente o gestor. A identidade do bancário que fizer a denúncia será mantida em sigilo.
