Santander quer lucrar com adiantamento do FGTS
Os bancos estão sempre em busca de lucro fácil. Bastou o governo federal anunciar que vai autorizar o saque das contas inativas do FGTS, para o Santander se oferecer para antecipar o valor para o trabalhador. O empréstimo é semelhante ao que já é feito no caso do 13º salário e da restituição do Imposto de Renda, por exemplo.
A oferta parece tentadora, uma vez que o banco não exige nenhum tipo de garantia para a antecipação, mas apenas a cobrança de uma taxa de juros que pode variar entre 2,59% a 4,59% ao mês. O perigo está exatamente neste detalhe: os juros!
A taxa desse tipo de empréstimo não deveria ser tão alta, porque o risco de calote é pequeno --quando o pagamento "oficial" cai na conta do trabalhador, lá na frente, ele é automaticamente repassado ao banco, mas, não é isso que acontece. Os juros geralmente são bem salgados.
O anúncio da linha de crédito do Santander diz que as taxas variam de 2,59% a 4,59% ao mês. Isso faz muita diferença. "4,5% é uma taxa altÃssima para um empréstimo com garantia firme [com baixo risco de calote para o banco], como o saque do FGTS. Não faz sentido cobrar uma taxa tão alta. É preciso ficar atento a isso, mesmo que você tenha outras dÃvidas mais caras para pagar", afirma a professora Myrian Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O trabalhador deve levar em consideração ainda a falta de informação sobre a liberação do pagamento. Afinal, o governo Temer não costuma ser muito rápido na liberação de recursos que favoreça a população. Se a autorização para o saque demorar, os juros podem acabar maiores que o recurso.
