Sindicato de Sergipe promove palestra sobre Terceirização Bancária no MPT
O Sindicato dos Bancários de Sergipe
promoveu, na última quinta-feira, dia 25, palestra sobre
Terceirização Bancária no Brasil. O palestrante foi o juiz Grijalbo
Fernandes Coutinho, titular da 19ª Vara do Trabalho do Distrito Federal
do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, que na oportunidade
lançou seu livro de igual título. O evento aconteceu no auditório
do Ministério Público do Trabalho, com objetivo de reunir um maior
número de profissionais e estudantes ligados à área de Direito.
“A terceirização no Brasil está em todos os segmentos. Ela é uma arma letal contra os trabalhadores. É incompatível com os direitos humanos, porque ofende os direitos da classe trabalhadora. O objetivo do meu livro é que ele se tornasse uma denúncia contra a terceirização, que é uma ofensa grave aos direitos humanos dos trabalhadores, principalmente dos bancários”, disse o juiz em sua palestra.
Para Grijalbo Coutinho, são os trabalhadores que têm que barrar a terceirização, na raiz, do contrário o Judiciário vai continuar tapando o buraco, com medidas paliativas. “Se continuar dessa forma, a tendência é a terceirização ampliar seus espaços. No caso dos bancos, o problema é ainda mais sério, porque o Banco Central está usurpando o direito de legislar do Poder Legislativo, atuando como se fosse um porta-voz dos bancos, com resoluções permitindo a ampliação da terceirização nas instituições financeiras”, denuncia.
Segundo o
juiz de Direito, a partir da terceirização passou a existir os
bancários formais e os informais, que fazem o mesmo trabalho, mas não
são reconhecidos. Não tem os mesmos direitos. “Os terceirizados são as
maiores vítimas da terceirização. Grande parte deles recebe apenas um
salário mínimo. Se os bancários são explorados, os bancários informais
são ultra-explorados”, avalia.
Para o juiz, não tem como se conviver com a terceirização. Ela precisa ser eliminada em todos os segmentos da economia. Acho que cabe aí a ação direta de inconstitucionalidade”, lembrou o juiz. Resumindo, a razão de ser da terceirização é diminuir os custos com a mão de obra, mas que resulta na precarização do trabalho.
“A
terceirização é uma invenção dos banqueiros para aumentar sua taxa de
lucro e explorar a população. Os banqueiros, com o apoio do Banco
Central, introduziram a terceirização, hoje materializada na forma de
correspondentes bancários, com o argumento de ‘bancarizar’ a população,
quando, na verdade, o objetivo é outro, pois os correspondentes estão
localizados em maior número nos Estados mais desenvolvidos do país.
Norte e Nordeste são as regiões com menor quantidade. Esse dado é mais
do que suficiente para desmontar o discurso dos banqueiros”, afirma José
Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe.
