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Trabalho por hora ameaça salário e política de valorização

A promessa de liberdade por meio do pagamento por hora esconde uma ameaça concreta: a precarização dos salários e a flexibilização de direitos. Hoje, a remuneração mensal não é uma simples multiplicação fixa de dias trabalhados, mas considera as horas efetivamente trabalhadas e o DSR (Descanso Semanal Remunerado), além das garantias previstas na legislação. Sob o discurso de modernização das relações de trabalho, propostas defendidas por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apontam para um modelo que enfraquece a proteção salarial e coloca nas costas dos empregados os riscos da instabilidade do mercado.

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O ataque à política de valorização do salário mínimo faz parte dessa lógica. Se os reajustes concedidos desde 2004 tivessem acompanhado apenas a inflação, sem ganhos reais, o piso nacional estaria em torno de R$ 852, segundo cálculo apresentado no material, quase metade dos atuais R$ 1.621. De acordo com o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos vinculados ao salário mínimo, e a política de valorização acrescentou aproximadamente R$ 81 bilhões à economia em 2026. Não se trata apenas de um reajuste no contracheque: é renda que movimenta o comércio, sustenta pequenos negócios e chega às economias locais.

Retomada em 2023, após ter sido extinta durante o governo Jair Bolsonaro, a política combina a reposição da inflação com o crescimento real da economia, limitado atualmente a 2,5% pela fórmula vigente. O mecanismo também repercute nas aposentadorias vinculadas ao piso e no BPC (Benefício de Prestação Continuada). A contradição ficou evidente nesta sexta-feira (09/10), quando a campanha de Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não pretende alterar a política de valorização do salário mínimo, das aposentadorias e do BPC, garantindo reajustes acima da inflação. A declaração contrasta com propostas apresentadas por integrantes da campanha a empresários e representantes do mercado financeiro.

A questão central é quem paga a conta desse modelo econômico. Quando se enfraquece a valorização do salário mínimo e se amplia a flexibilização das relações de trabalho, o resultado pode ser menos renda, mais insegurança e maior dificuldade para planejar a própria vida. O pagamento por hora, apresentado como solução moderna, não garante, por si só, melhores salários ou mais liberdade: sem proteção e remuneração suficiente, pode significar justamente o contrário.

Fonte: Sindicato dos Bancários da Bahia. 

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