30 anos da Lei da Anistia exigem reflexão sobre ditadura
"Uma Lei da Anistia ampla, geral e irrestrita deixou muito a desejar aqui e ali no que tange culpabilidade desses elementos, desses entes que atacaram violentamente princípios morais e éticos dos direitos humanos no plano internacional", diz o historiador.
A UERJ também vai marcar a data com a realização do simpósio Apesar de Você - 30 Anos da Anistia Política no Brasil, que acontece nos dias 26, 27 e 28 deste mês, no Rio de janeiro. A discussão sobre a anistia servirá para reavivar a memória brasileira, na opinião do historiador.
Segundo Munteal, para que a Lei da Anistia seja considerada de fato eficaz e válida, é urgente a abertura dos registros do Itamaraty, do Arquivo Nacional, dos arquivos públicos estaduais, dos arquivos ainda blindados da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Ele disse que é fundamental também que o Ministério Público investigue os elementos que ainda estão aí, vivos, que cometeram crimes contra os cidadãos brasileiros que lutavam por seus ideais. Destacou a necessidade de que a universidade se mobilize e se comprometa a apontar os caminhos.
Acerto de contas
Uma mudança na Lei da Anistia não pode ser feita sem movimento de massa. Então, é importante que o movimento da sociedade seja consoante às necessidades técnico-jurídicas. Sem movimento de massa, é difícil dar respaldo a esse processo de averiguação, de acerto de contas.
Munteal deixou claro, porém, que o que prevalece não é o revanchismo barato ou de qualquer outra natureza. Mas, de acerto de contas com aquelas décadas que sinalizaram para a autonomia do país. Ele se referiu especificamente ao golpe militar que derrubou o presidente João Goulart.
Para o historiador, a política tem de ser preservada como esfera de negociação. Os que falam contra a política falam contra a cidadania. Os que falam que os políticos são todos iguais, na minha opinião, querem atirar a sociedade no caos, no golpismo.
Ele disse não ter dúvidas de que o processo de abertura dos arquivos da ditadura política evoluiu muito nos últimos oito anos, particularmente no governo Lula, com a investigação de crimes políticos.
Essa retomada dos escombros da ditadura é fundamental para que a gente, inclusive, mostre para as gerações que estão aí o saldo devedor.
Citando o compositor Chico Buarque de Hollanda, o historiador afirmou que a ditadura emburreceu o Brasil. E acrescentou: e também provocou amnésia política na população. Segundo ele, o período da ditadura militar, conhecido como os anos de chumbo ainda é pouco conhecido no Brasil.
