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55 anos da Federação

39º Conecef debate sobre impactos da IA na Caixa e no emprego bancário

Os delegados do 39º Congresso dos Empregados da Caixa Econômica Federal refletiram, na segunda mesa de debates desta quarta-feira (56), sobre “Os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho”. Os convidados para contribuir com o debate foram a economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e o pesquisador e doutor em Microbiologia, Átila Iamarino.

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Em sua apresentação, Vivian relacionou a inteligência artificial (IA) no atual contexto tecnológico, com o sistema financeiro e o mercado de trabalho. Ela explicou que as tecnologias de IA são classificadas por sua capacidade de imitar características humanas como inteligência artificial estreita; geral e superinteligência artificial.

Por isso, segundo a economista, já está havendo normas de regulamentação do uso da IA, como já existe na União Europeia. A economista disse que as regras europeias determinam que as regras de uso geral serão aplicáveis um ano após a entrada em vigor (maio de 2025) e as obrigações para sistemas de alto risco, em três anos. A supervisão é de responsabilidade das agências nacionais dos Estados-membros, apoiadas pelo “Gabinete de IA” da Comissão Europeia.

“O texto visa proteger os direitos fundamentais, a democracia, o Estado de Direito e a sustentabilidade ambiental contra a IA de alto risco, promovendo simultaneamente a inovação e tornando a Europa líder neste domínio”, informou a economista ao acrescentar que as restrições incluem a proibição do uso da IA de reconhecimento de emoções em escolas e locais de trabalho e a coleta não direcionada de imagens para banco de dados de reconhecimento facial.

Não é inteligência
Átila Iamarino, se por um lado reduziu a preocupação da categoria ao explicar que as IAs disponíveis no mercado atualmente não têm capacidade de substituir o trabalho humano, por outro deixou os delegados apreensivos. “Essas tecnologias já estão sendo aplicadas em ambientes corporativos para monitorar a produtividade e as dinâmicas laborais, sendo vendidas como formas de aumentar os lucros para os acionistas, explorando ainda mais o trabalho”, disse.

O pesquisador explicou que a recente explosão de IAs se deve a sistemas de programação que agregam contexto e valores às palavras, permitindo criar textos, áudios e imagens. “No entanto, essas IAs não possuem verdadeira inteligência ou capacidade de raciocínio humano. São geradores de conteúdo que buscam construí-lo da forma mais racional possível, mas têm muitas falhas, geralmente decorrentes de problemas na comunicação humana ou nos dados fornecidos”, disse.

Por isso, alertou que utilizar essas ferramentas para serviços humanos complexos sem supervisão é irresponsável, pois podem gerar informações erradas ou inventadas, afetando negativamente os mais vulneráveis. “Embora as IAs possam construir textos com lógica, a capacidade de raciocinar e corrigir informações de contexto ainda é exclusivamente humana”.

Mas Vivian chamou a atenção das empregadas e empregados para a necessidade de refletir sobre novas e profundas transformações tecnológicas que seguem se desenhando no horizonte “e é preciso tentar, na medida do possível, se antecipar aos impactos que elas trarão para a classe trabalhadora e a sociedade em geral”. “Parece fundamental debater a estrutura sindical brasileira e as estratégias internas do movimento para fazer frente a essa nova composição do mercado de trabalho. Nessa empreitada é fundamental conhecer a realidade regional de cada base para definir prioridades e planos de ação”, alertou.

IA nos bancos
Dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) apontam que 96% dos bancos utilizam tecnologias de inteligência artificial e 54% utilizam genIA, que é a inteligência artificial generativa, usada para criar textos, imagens, músicas, áudios e vídeos. E esta utilização cresce a ritmos assustadores no Brasil.

Vivian apresentou informações que demonstram que o setor bancário é líder em investimento privado em tecnologia no Brasil e no mundo, com orçamento que cresce ano a ano. “Em 2023, os gastos em tecnologia dos bancos chegaram a R$ 39 bilhões e, para 2024, a estimativa de gastos ultrapassa R$ 47 bilhões, com os principais investimentos direcionados para a inteligência artificial e GenAI, computação quântica, exploração de dados, cibersegurança, cloud, processos ágeis, ESG e pessoas”, disse.

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Tecnologia na Caixa
A economista do Dieese também apresentou informações sobre a transformação digital na Caixa.

Outubro de 2019 – Lançamento da Plataforma digital Caixa Tem, inicialmente voltado para os clientes de baixa renda e beneficiários de programas sociais;
Em março de 2020, destaca-se a relevante atuação na operacionalização dos meios necessários para o pagamento dos benefícios instituídos pelo Governo Federal no período da Pandemia. O aplicativo se tornou o braço digital da Caixa e do Governo Federal na operacionalização da distribuição e movimentação de recursos do Auxílio Emergencial e do Saque Emergencial do FGTS;
Inclusão de mais de 38 milhões de clientes de baixa renda e beneficiários de programas sociais no Caixa Tem. Em 2020, de acordo com a Caixa, foram mais de 6 bilhões de transações realizadas por meio de celulares, e 4 bilhões de transações por meio do Caixa Tem.
“Com mais de 107 milhões de contas poupanças sociais digitais gratuitas abertas até o final de março de 2021, o Caixa Tem tornou-se o maior banco digital do hemisfério ocidental”, observou a economista do Dieese.

Em fevereiro de 2024, a Caixa criou o Programa TEIA, acrônimo de Transformação, Engajamento, Inovação e Aprendizado, para acelerar seu processo de transformação digital.

“Além disso, a CAIXA participa do projeto piloto do Drex, o Real Digital, por meio de ações realizadas junto ao consórcio firmado com a Elo e a Microsoft. A expectativa da Caixa com o Drex e o uso de tecnologias blockchain e ‘tokenização’ é de que os serviços financeiros possam ser melhorados, barateados e democratizados”.

Impactos no emprego bancário
Todo esse uso de tecnologia e da inteligência artificial pode estar relacionado com a redução de postos de trabalho no setor bancário. “Não temos como afirmar que há esta relação, até porque existem outros pontos que interferem no emprego bancário, mas acreditamos sim nesta relação”, disse Vivian, ao se referir ao crescimento das cooperativas de crédito, securitários, fintechs e outros segmentos. “Em muitos casos, esses trabalhadores são precarizados pela terceirização, não têm vínculo empregatício com as empresas que os contratam, são ‘personal bankers’”, lamentou a economista do Dieese.

Em 1990, a categoria bancária era responsável por 95,2% dos empregados no ramo financeiro. Em 2021 esse percentual caiu para 43,6%.

Na Caixa, especificamente, a redução do quadro de pessoal não foi maior devido à resistência do movimento sindical, que impediu a demissão imotivada e exigiu o cumprimento da exigência mínima de 5% de empregados com deficiência, o que obrigou a Caixa a fazer um concurso específico para PcD e a contratar candidatos aprovados no concurso de 2014, após ter conseguido a prorrogação da validade do concurso.

Mesmo assim, o quadro de pessoal, que chegou a ter 100.677 empregados em 2014, caiu para 81.945 em 2020, com leve recuperação a partir de 2021, em decorrência da pressão dos sindicatos por mais contratações.

Fonte: texto e fotos da Contraf.

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