7.500 presos políticos e 2.649 sindicalistas assassinados
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Delegação de sindicalistas e parlamentares ingleses visitaram a vala comum. Sob intervenção do Pentágono e o predomínio do narcotráfico, a “parapolítica” é a marca de Uribe. Há 7500 presos políticos e 2649 sindicalistas foram assassinados Uma vala comum com dois mil corpos foi descoberta na cidade de Macarena, estado de Meta, na Colômbia, a 200 km de Bogotá, no final de dezembro de 2009. Desde 2005, esquadrões da morte agindo sob a fachada de “forças paramilitares”, estreitamente ligados ao governo Uribe e ao exército colombiano, vinham massacrando na região civis, que eram jogados no local, sob a alegação de “mortos em combate”. O efeito colateral do “Plano Colômbia” já havia sido denunciado pela população, sem ser investigado. Agora, a visita ao local de uma delegação de sindicalistas e parlamentares ingleses tornou impossível a manutenção do silêncio pelo regime de Uribe. Na semana passada outra delegação, de parlamentares espanhóis, chegou à região, registrou o jornal “Público”. DESAPARECIDOS “Há uma infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a inscrição NN [sem identificação] e com datas desde 2005 até hoje”, afirmou o jurista Jairo Ramírez, secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia, que acompanhou a delegação inglesa ao local. Ele revelou ao jornal espanhol que “o que vimos foi estarrecedor”. Ramírez ouviu do comandante do exército que se tratava de “guerrilheiros, baixas em combate”, enquanto as pessoas da região lhe disseram serem “líderes sociais, camponeses e defensores comunitários que desapareceram sem deixar rastro”. Entre as execuções extrajudiciais, praticadas aos milhares, o escândalo dos “falsos positivos”. “Sob pressão dos altos mandos para “apresentar resultados”, a tropa muitas vezes simplesmente rapta jovens, os assassina e maquia como “guerrilheiros”, o que logo é repetido na mídia. Até mesmo o “Washington Post” registrou os “falsos positivos”. (No Vietnã faziam a mesma coisa: todo o civil morto era, por definição, um “vietcong”). Também as multinacionais recorreram aos serviços dos paramilitares, como a Chiquita (nome de fantasia da United Fruit, a do golpe na Guatemala), Anglo, British Petroleum, Occidental Petroleum, Drummond, e outras. A Chiquita confessou ter pago US$ 1,7 milhão ao longo de dez anos e entregue um carregamento de fuzis AK-47 (3 mil armas, mais 5 milhões de cartuchos). Sob a intervenção direta do Pentágono e o predomínio do narcotráfico, a “parapolítica” se tornou a marca do governo Uribe. Mais de 60 políticos ligados a Uribe estão sendo processados por vínculos com os paramilitares, e 30 deles já estão presos. Ainda assim Uribe segue manobrando pela reeleição. Há 7500 presos políticos, e é recorde mundial o número de sindicalistas mortos - 2649.
O Movimento das
Vítimas de Crimes de Estado na Colômbia estima em mais de 50.000 o número de
desaparecidos devido à ação desses esquadrões da morte e de agentes policiais e
militares; para a Procuradoria Geral da Nação, órgão governamental, são 25.000.
O número de pessoas expulsas de suas terras chega a 4 milhões de pessoas. “TESTEMUNHOS” Alguns dos “testemunhos” prestados pelos chefes dos “para”. Herbert Veloza, o HH, atualmente extraditado nos EUA para fazer acordo com o DEA, disse que seu grupo matou “3.000 pessoas ou mais” entre 1994 e 2003. Em entrevista ao jornal colombiano “El Espectador”, contou ter “decapitado muita gente”. Ele narrou como surgiram as fossas comuns. No começo, largavam os corpos onde as pessoas eram mortas, mas depois as “autoridades” os mandaram “desaparecer com os corpos”. Outro chefe de esquadrão da morte, Jorge Ivan Laverde Zapata, “El Iguano”, que encabeçava as operações em Santander, a 800 km da capital, afirmou que construiu dois fornos, em que foram incinerados cerca de 128 pessoas. Outro facínora, John Jairo Renteria, o “Betún”, revelou que ele, e seus comparsas enterraram “pelo menos 800 pessoas” na localidade de Vila Sandra, Puerto Asís, no Putumayo. “Tinha que esquartejar as pessoas. Todos nas ‘Autodefesas’ [como se intitulavam] tinham que aprender isso e muitas vezes isso foi feito com gente ainda com vida”. Em suma, a eles cabia a parte mais suja do “Plano Colômbia”.
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