Abril Vermelho: MST mobiliza 17 estados e tranca 60 rodovias
Dentro das atividades do "Abril Vermelho", o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra realizou na última quarta-feira (17) mobilizações em 17 estados, e no Distrito Federal.o movimento fechou ainda 60 rodovias por todo o país.
O chamado Abril Vermelho marca os 17 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 trabalhadores sem terra foram assassinados, em 1996, no Pará e pela realização da Reforma Agrária.
Para cobrar da presidenta Dilma Rousseff a apresentação de
um plano emergencial para o assentamento das 150 mil famílias acampadas
em todo o Brasil, os Sem Terra trancaram 60 rodovias, realizaram
ocupações de terras, prédios públicos, prefeituras, marchas e atos
políticos, doações de alimentos por todo o país.
Foram
promovidos protestos no Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco, Distrito
Federal, Rio de Janeiro, Pará, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia,
Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Mato Grosso, Rondônia,
Maranhão, Goiás e Piauí.
Desde o começo do mês de abril,
diversas ações já foram realizadas na jornada nacional pela Reforma
Agrária nos estados. O MST denuncia a paralisação do processo de criação
de assentamentos, causado pela lentidão do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela intervenção do Poder
Judiciário no andamento dos processo de desapropriação.
Há 523
processos judiciais envolvendo a Reforma Agrária no Brasil, dos quais
234 estão parados na Justiça Federal. Existem 69.233 grandes
propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares
de terra (IBGE/Censo de 2010), que deveriam ser destinadas à Reforma
Agrária pela Constituição.
Marcha pelo fim da impunidade no campo
Ainda dentro do calendário do "Abril Vermelho", cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras marcharam pela Esplanada dos Ministérios em direção ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, na quarta-feira. “Lembramos os mortos do massacre de Eldorado dos Carajás e, ao mesmo tempo, denunciamos a paralisação da Reforma Agrária no Brasil. São 150 mil famílias acampadas e o Governo parou a política de criação de assentamentos, mesmo existindo mais de 69 mil grandes propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares de terra (IBGE/Censo de 2010)”, afirma Diego Moreira , integrante da coordenação nacional do MST.
Confira as mobilizações pelo país:
Paraná
20
rodovias estaduais e federais foram fecham por 21 minutos por centenas
de trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST, em todas as regiões do
Paraná, nesta quarta-feira. Foram fechadas rodovias em Cascavel,
Ramilândia, Clevelândia, Renascença, Londrina, Guairaçá, Nova Esperança,
Santo Inácio, Faxinal, Tamarana, Porecatu, Arapongas, Pitanga,
Ivaiporã, Ponta Grossa, Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu,
Luiziana, e Mandaguari. Em Curitiba, outros 150 militantes do MST
realizam um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Estado para exigir o
desbloqueio da Reforma Agrária e o julgamento dos crimes cometidos pelo
latifúndio. Apenas no Paraná, dos 19 assassinatos ocorridos entre 1994 a
2009, somente quatro foram julgados.
Pernambuco
Em
Pernambuco, o MST continuou as mobilizações com o trancamento de
rodovias e ocupações de Prefeituras nesta quarta-feira. Cerca de 3200
trabalhadores realizaram o trancamento de 12 rodovias no estado. Além
disso, as Prefeituras de Goiana, na região Norte, e de Moreno, região
Metropolitana, foram ocupadas. Cerca de 100 famílias do MST ocuparam,
nesta terça-feira (16), o Engenho Pimentel, localizado no município de
Santo Agostinho, região metropolitana do estado de Pernambuco. Este foi o
sétimo latifúndio ocupado no estado ao longo dessa semana
Distrito Federal
Nesta
quarta-feira, cerca de 500 integrantes do MST marcharam pela Esplanada
dos Ministérios em direção ao Supremo Tribunal Federal (STF), em
Brasília. Os Sem Terra realizaram um protesto em frente ao STF e no
Ministério da Justiça. Pela parte da manhã, aconteceu uma audiência
pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal sobre a
impunidade e violência no campo, onde também foi feita uma homenagem aos
mortos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Às 11h, o MST e servidores
do MDA e INCRA fizeram a doação de duas toneladas de alimentos
saudáveis, sem agrotóxicos, para a população de Brasília, na Rodoviária
do Plano Piloto. Entre os produtos a serem distribuídos estavam
mandioca, batata doce, quiabo, feijão de corda, abóbora, abobrinha
verde, todos provenientes dos assentamentos e acampamentos do Distrito
Federal e Entorno.
Sergipe
Em Sergipe,
1600 Sem Terra trancaram 10 estradas em todo o estado, nesta quarta. A
Br 101 foi fechada em 4 pontos: no trevo de Japaratuba, Cristinápolis,
na ponte de Itaporanga e no trevo de Japoatã. Outros dois trechos foram
trancados na BR 235: o trevo de Ribeirópolis e o trevo de Pinhão.
Outras quatro estradas estaduais foram bloqueadas nos municípios de
Lagarto, Malhador, Canindé, Gararu. Na capital Aracaju, 800 pessoas do
MST realizaram vigília em frente ao Palácio da Justiça Federal, fizeram
um ato no Distrito Comercial, mais conhecido como calçadão e ocuparam o
pátio do Incra para cobrar o assentamento das mais de 10 mil famílias
acampadas no estado, com acampamentos de 16 anos. Há 20 áreas na justiça
aguardando desapropriação.
Alagoas
Em
Alagoas, nesta quarta-feira, uma marcha percorreu as ruas da cidade de
Atalaia até o Fórum de Justiça, que abriga processos envolvendo crimes
ligados à disputa pela terra na região.
Minas Gerais
Cerca
de 200 Sem Terra bloquearam nesta quarta o Anel Rodoviário de Belo
Horizonte, na altura do bairro Betânia, na região Oeste da capital, por
40 minutos. Além de protestarem contra a morte dos 21 Sem Terra em
Carajás, eles também cobram a punição de Adriano Chafik, réu confesso do
Massacre de Felisburgo, que matou cinco trabalhadores em 2004.
Ceará
Manifestantes
do MST ocuparam pela manhã desta quarta a sede do Departamento Nacional
de Obras Contra as Secas (DNCOS), em Fortaleza. O Movimento
reivindicava reunião com representantes do órgão para negociar pontos
referentes à seca que assola a região, umas das piores dos últimos anos.
Para esta quinta-feira, já está marcada uma audiência com o governador
do estado, Cid Gomes (PSB).
Rio Grande do Sul
Cerca
de 1.500 manifestantes, ocuparam o prédio da Secretaria de Educação do
Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, nesta quarta-feira. Os
manifestantes saíram em marcha do Incra e Ministério da Fazenda, onde
estão acampados desde ontem. O objetivo da ocupação é exigir do governo
investimentos na educação pública nas áreas de assentamentos. Uma
comissão de representantes dos movimentos foi recebida pela Secretária
adjunta Maria Olalia.
São Paulo
Centenas
de Sem Terra realizaram diversas ações no estado de São Paulo, nesta
quarta-feira. 150 famílias acampadas na região de Iaras ocuparam
fazenda Nossa Senhora de Fátima, em Agudos. Em Ribeirão Preto, a
rodovia Anhanguera foi trancada na altura do Km 340, no município de
Sales de Oliveira, por 150 famílias. Ao longo dos 21 minutos que
fecharam a estrada, os Sem Terra doaram alimentos como forma de dialogar
com a sociedade e demonstrar as conquistas da Reforma Agrária. Em
Sorocaba, 150 famílias fecharam a rodovia Raposo Tavares, na altura do
km 166 (Itapetininga) por 21 minutos. No Vale do Paraíba, as famílias
ligadas ao MST ocuparam o escritório do Instituto Biosistêmico (IBS). Na
região de Andradina, foram realizadas brigadas de doação de sangue nos
municípios de Araçatuba e Fernandópolis. Na grande São Paulo,
assentados, militantes e aliados reuniram-se num mutirão e ato político
cultural no acampamento Comuna da Terra Irmã Alberta. Militantes e
famílias assentadas da região de Campinas somaram-se às atividades da
semana de Luta pela Terra, em Limeira.
Mato Grosso do Sul
Trabalhadores
e trabalhadoras rurais do MST fecharam cinco trechos de rodovias
federais e estaduais no estado de Mato Grosso do Sul, nesta
quarta-feira.
Em Sidrolândia, os assentados de Emerson Rodrigues, 7
de Setembro, Piuva, e da CUT trancaram a BR 060. Ao longo da ação, as
famílias fizeram distribuição de alimentos e panfletagem para os
motoristas. As famílias dos assentamentos Ernesto Che Guevara, Ranildo
da Silva, Santa Luzia, em Nova Andradina, trancaram a BR 163. Em Nova
Alvorada do Sul, a BR 167 foi fechada pelos Sem Terra do assentamento 17
de Abril e dos acampamentos Texeirinha e Florestan Fernandes. Já as
centenas de famílias Assentamento Itamaraty fizeram panfletagem na BR
267. Foram bloqueadas também rodovias estaduais (MS-060, km 390 e
MS-164, próximo a Ponta Porã). A cada 21 minutos os manifestantes
ocupavam as vias para distribuir panfletos e comida aos condutores.
Rio de Janeiro
O MST, junto com o movimento dos Atingidos pela Vale, organizaram
nesta quarta-feira um ato em frente à assembléia de acionistas da
empresa, no centro do Rio de Janeiro, para denunciar as violações
cometidas pela Vale e exigir reparações aos grupos impactados. Pela
primeira vez na história da assembléia de acionistas, o local foi
alterado e transferido para acontecer no escritório comercial da
empresa, na Barra da Tijuca. À tarde, foi realizado o debate “A luta
contra as corporações na atual fase do capitalismo: a articulação
internacional dos atingidos pela Vale”, com Jose de Echave (ex-vice
Ministro do Meio Ambiente do Peru), movimentos sociais e membros
nacionais e internacionais dos Atingidos pela Vale.
Pará
Dois
mil jovens do 8º Acampamento Pedagógico da Juventude Oziel Alves
Pereira fecharam a rodovia PA-150 na altura da Cursa do S, na manhã
quarta-feira, no local onde aconteceu o Massacre de Eldorado dos
Carajás. A rodovia foi fechada por 21 minutos, em memória a cada um dos
mortos no massacre que completa 17 anos. O acampamento, que conta com a
participação de jovens do Movimento de outros estados, reúne jovens
desde 11 de abril para uma séria de atividades de formação, com análises
sobre a conjuntura nacional e a discussão sobre o papel da juventude na
luta de classes. Em Belém, 400 trabalhadores rurais estão acampados na
praça Mártires de Abril, no centro da capital paraense. O nome da
praça, uma homenagem aos trabalhadores mortos em 1996, tem uma escultura
do artista dinamarquês Jens Galschiot, simbolizando o massacre.
Bahia
Os
cinco mil militantes do MST que ocupavam o Incra da capital baiana
realizaram um ato político em frente à Assembleia Legislativa, nesta
quarta. O objetivo foi lembrar os mortos de Carajás e pedir que a
justiça apure a morte de Fábio Santos da Silva, coordenador do MST
assassinado com 15 tiros no início do mês, no município de Iguaí, região
sudoeste da Bahia.
Após este ato, os Sem Terra fizeram um ato,
seguido de uma vigília, no tribunal da Justiça Federal no estado, para
pressionar as 49 áreas do estado que já foram autorizadas para que se
realize a Reforma Agrária.
Mato Grosso do Sul
Na
manhã desta quarta, integrantes do MST realizaram dois trancamentos de
rodovias em Mato Grosso. 200 Sem Terra fecharam Br 070, próxima ao
município de Cáceres, e outros 100 militantes ocuparam no município de
Dom Aquino.
Maranhão
Cerca de 600
famílias trancaram a BR 222 no município de Chapadinho, no Maranhão,
para exigir maior agilidade no processo de assentamento das mais de 3
mil famílias acampadas em todo o estado. Há cinco anos que nenhuma
famílias é assentada no estado Maranhão, onde há 16 acampamentos, sendo
que alguns com 15 anos de existência. Segundo Edivan Oliveira, da
coordenação nacional do MST, a situação é tão crítica que no mínimo há
acampamentos com 6 anos de vida.
Rondônia
Os trabalhadores no estado de Rondônia fecharam cinco trechos da BR 364 para cobrar o assentamento de 800 famílias acampadas.
Piauí
Cerca
de 800 trabalhadores sem terra ocuparam fazenda Atalaia, a 30 km de
Teresina, depois de fecharem uma avenida por 21 minutos na capital,
nesta quarta-feira. Ontem, Ocupou 600 pessoas haviam ocupado o Incra.
Goiás
Em Goiânia, mais de 500 pessoas do MST ocuparam o Incra.
Portal CTB com MST
