Acordo encerra greve vitoriosa na construção civil baiana
Após seis horas de negociações realizadas nesta quarta-feira, 25, no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Salvador, patrões e empregados da construção civil chegaram a um acordo, e os trabalhadores optaram pela volta à ativa.
Foram nove dias de greve - no calendário, seriam 13, mas, no cálculo dos dias parados, foram descontados os fins de semana, e o feriado da categoria.
O movimento grevista atingiu nível histórico de mobilização, com adesão de cerca de 100 mil trabalhadores em todo o Estado. Inicialmente, os operários reivindicavam um reajuste salarial de 12%. Porém, ao final das negociações, foi firmado um aumento de 9,76%, para os trabalhadores da construção civil de Salvador e Feira de Santana.
O aumento será repassado em duas parcelas. Deve haver incremento de imediato de 8% na remuneração dos operários qualificados, retroativo a janeiro. O saldo será adicionado à remuneração a partir de setembro.
Com os percentuais de reajuste, o novo piso da categoria deve chegar a R$ 830 em Salvador e Feira, explica o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Bahia (Sinduscon-Ba), Vicente Mattos. "Foi o acordo possível de ser feito neste momento. A greve é um recurso que não interessa a patrões ou empregados", observa Mattos.
Na campanha salarial de 2009, as três principais centrais sindicais do País - a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) - se uniram, e agre garam 17 sindicatos da construção em todo o Estado, algo que potencializou a capacidade de mobilização do movimento.
Ainda assim, o acerto com cada sindicato implica uma série de variáveis diferentes. Apenas para se ter uma idéia, uma das questões mais controversas das negociações era o auxílio para a cesta básica. O auxílio alimentação aos trabalhadores de Salvador Feira passou de R$ 30 para R$ 45, enquanto o pessoal de Camaçari conseguiu ampliar o auxílio para R$ 60.
Piso - O piso salarial dos operários qualificados de Camaçari foi reajustado para R$ 822, com novo incremento previsto para o período entre setembro e dezembro, que elevaria a remuneração do trabalhador da construção civil camaçariense para R$ 835,70. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil na Bahia (Sintracon-Ba), Luiz Cláudio Belon, observa que trabalhadores de Salvador e Feira de Santana, que não se enquadram nas categorias de ajudantes ou operários qualificados tiveram reajuste de 8%.
Belon ainda acrescenta que os trabalhadores de ambos os municípios vão compensar os dias parados na proporção de 60% com parte dos reajustes dos meses de janeiro e fevereiro. "Foi uma conquista, de fato, pois não termos que repor estes dias de paralisação", considera Belon.
Ele ainda acrescenta que os reajustes salariais, obtidos no momento de crise, foram acima da perspectiva de inflação, prevista para 2009. Ou seja, os trabalhadores conseguiram ganho real, em suas remunerações.
Fonte: Sinduscon - Bahia
