Adilson Araújo avalia atuação da CTB Bahia
O bancário Adilson Araújo, Presidente da CTB Bahia, fala dos desafios e perspectivas para o sindicalismo em 2010.
CTB - Quais são os principais desafios da CTB?
Adilson Araújo - A
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vive um
momento impar, de intensificação das lutas na defesa das conquistas e
direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. A CTB propõe um tipo de
sindicalismo autônomo e independente, sem vínculos com governos e
patrões, participa do novo estágio político apostando no protagonismo
da classe trabalhadora, em especial, a defesa de um novo projeto de
desenvolvimento nacional que tenha como centro a valorização do
trabalho e do trabalhador.
CTB - Quantas entidades sindicais participam da CTB, e quais são as metas para 2010?
AA –
São 300 entidades filiadas. Indiscutivelmente a CTB reúne a maioria das
entidades sindicais no Estado da Bahia. Com a participação da Fetag
(Federação dos Trabalhadores em Agricultura), importante entidade na
base da Central, nossa perspectiva se amplia. Penso que a nossa meta
deve ser ousadia, autonomia e luta.
CTB - Qual a representação da CTB no campo?
AA – Na
CTB Bahia os trabalhadores e trabalhadoras rurais têm um peso
importante, um espaço de destaque. São mais de 200 o número de
sindicatos rurais; Isso reforça a nossa luta pela reforma agrária e
pelo fortalecimento da agricultura familiar.
CTB - Além dos rurais, quem mais soma força com a Central?
AA – Estão
presentes na CTB sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras da
construção civil, comerciários, bancários, indústria metal mecânica,
borracheiros, setor da alimentação, educação, médicos, saúde pública,
enfim, um universo de entidades que cumprem um papel estratégico na
organização, influência social e intervenção política.
CTB - A CTB só participa da luta dos trabalhadores?
AA –
Não! A CTB é uma central sindical de trabalhadores e trabalhadoras, mas
embora o nosso papel seja o de representar, organizar e conscientizar a
classe trabalhadora mantemos uma política ampla. Para a CTB os
sindicatos devem realizar um verdadeiro mergulho nos movimentos
sociais. A Central Sindical compete a organização dos ativos, sem
perder de vista o sentido da solidariedade aos aposentados,
desempregados, excluídos e marginalizados na sociedade. A CTB é uma
entidade parceira dos movimentos sociais.
CTB - Fazer sindicalismo, hoje, é pensar o mundo de forma diferente. O que a CTB propõe?
AA – Estamos buscando uma intervenção
mais ampla, influenciando no debate mundial. Fizemos a opção de atuar
na Federação Sindical Mundial e vamos disputar nosso espaço nessa
organização contribuindo com a sua plataforma, fortalecimento, e,
sobretudo, na construção de uma agenda mundial, que defenda os
trabalhadores e aponte para o rompimento com o neoliberalismo, que
denuncie as mazelas do capitalismo e abra um tempo novo, de
desenvolvimento, integração e soberania.
Num
mundo globalizado, aspectos e mudanças que sugerem vantagens ou
prejuízos, que possam ocorrer nos Estados Unidos, França e Canadá vão
repercutir por aqui, a exemplo do que ocorreu com a grave crise
econômica, que podou milhares de postos de trabalhos no Brasil. Tudo
isso, exige respostas urgentes e mais articuladas, uma intervenção mais
dinâmica do movimento sindical. Acredito que a construção de uma Rede
Mundial dos Trabalhadores e Trabalhadoras, unitária e solidaria, será
capaz de responder os desafios da nova ordem econômica mundial.
CTB - Em 2009 a CTB enfrentou várias batalhas, quais foram as principais lutas e conquistas?
AA – Foram
muitas as lutas travadas este ano, destaco a nossa participação na
Mudança do Garcia no Carnaval, o lançamento da Cartilha da Mulher
Trabalhadora, a realização do Primeiro de Maio da CTB em diversas
cidades, as mobilizações em defesa do emprego no enfrentamento à crise
econômica mundial, o Dia Nacional da Consciência Negra, as vigílias no
aeroporto para pressionar os deputados a votar pelo reajuste dos
benefícios dos aposentados e pensionistas e pelo fim do fator
previdenciário, os protestos nas Agências da Previdência Social, em
defesa da Previdência Pública e contra as altas pré-datadas, com grande
repercussão na imprensa, a inovadora e criativa iniciativa do Sindicato
dos Médicos que combinou as reivindicações da categoria a realização da
1ª Corrida dos Médicos que mobilizou mais de 1500 participantes, as
campanhas salariais e greves de diversas categorias.
A
atuação da CTB nos fóruns e conselhos tripartites garantiu visibilidade
e reconhecimento nos espaços institucionais. Ressalta-se ainda, a
suspensão da privatização da BR 101, tendo a CTB Regional Sul o
principal protagonismo, e as conquistas sindicais, no Sindicato dos
Metalúrgicos de Camaçari, a presença do Núcleo Sindical de Base no
Sindicato dos Rodoviários, e a extraordinária vitória no Congresso da
Assufba que aprovou a desfiliação da CUT e o ingresso na CTB. Isso é
apenas parte de tudo que coletivamente construímos.
CTB - Quais as perspectivas para 2010?
AA - Apresentar
para os trabalhadores uma plataforma classista de luta. Esta na ordem
do dia intensificar a batalha pela redução de jornada de trabalho, sem
redução de trabalho. Lutar pela construção de um novo projeto de
desenvolvimento para o País.
Garantir participação direta e ativa na consolidação de uma maioria
política, elegendo um time de parlamentares vinculados e comprometidos
com a democracia, o combate as desigualdades sociais, e a ampliação dos
direitos trabalhistas. Intensificar a luta pela valorização do servidor
público, universalização dos serviços públicos, fortalecimento do SUS -
Serviço Único de Saúde, geração de emprego e renda, em especial,
emprego para a juventude.

