América Latina rebelde: uma nova realidade geopolítica
De acordo com a dirigente do CMP a nova realidade é o resultado da resistência popular contra o neoliberalismo na região, cujo primeiro grande fruto político foi a eleição de Hugo Chávez para presidente da Venezuela em 1998. Depois disto, vários governos com viés progressista foram consagrados nas urnas e, embora com diferentes visões táticas e objetivos estratégicos, convergiram no sentido de buscar novos rumos e modelos de desenvolvimento alternativos ao neoliberalismo.
Interesses em confronto
“Objetivamente”, sustenta Socorro Gomes, “os projetos desses novos governantes colide com os do imperialismo norte-americano”, além de contrariar os interesses das oligarquias locais. O choque de interesses transpareceu em episódios como os golpes contra a revolução bolivariana em 2002, abortados pela reação do povo e parte das Forças Armadas, a invasão de território equatoriano pela Colômbia, a tentativa de dividir a Bolívia, o golpe em Honduras, entre outros.
“Temos um continente rebelde, que se voltou contra a arrogância e o terror imperial dos EUA, sustentado em mentiras, como se viu no Iraque, invadido a pretexto de estar construindo armas de destruição de massas, e na força bruta”. Os novos governantes começaram a incrementar uma política de integração latino-americano e trataram de fundar novas instituições, como a ALBA e a Unasul, para concretizar a união.
Derrota da ALCA
Os novos rumos trilhados por governos da região já tiveram importantes desdobramentos. A derrota da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), propostas pelos EUA, certamente pode ser incluída entre os saldos da rebeldia. O que se pretende é escapar da dependência em relação aos EUA e instituir fóruns de integração.
O imperialismo, porém, não contempla passivamente o curso dos acontecimentos, que afinal colocam em xeque o seu domínio sobre uma área geográfica que até agora vinha sendo considerada como “quintal” de Washington. A reativação da 4ª Frota de Intervenção e instalação de novas bases na Colômbia (cujo presidente, Álvaro Uribe, comporta-se como um peão a serviço da Casa Branca) sinalizam a intenção imperial de manter a qualquer o status quo que desfrutou ao longo de quase todo o século XX.
“A América Latina é uma região pacífica. Esses movimentos do imperialismo só se explicam como uma reação contra o novo cenário político que está sendo criado na América Latina. É preciso estar atento e intensificar a luta dos povos para aprofundar o processo de mudanças”, enfatizou a presidente do CMP. A intervenção de Socorro Gomes foi feita na mesa sobre “Integração Soberana e Solidária do Continente”, coordenada por Victor Mindivi, presidente da Federação Justicialista da Argentina, e Edgar Sarango, dirigente da Central dos Trabalhadores do Equador. Também participaram como palestrantes o economista e professor argentino Júlio Ganbina e a pesquisadora do Centro de Estudos para a América Latina de Cuba, Lourdes Regueiro.
(Portal CTB)
