Anistia Internacional chama atenção para comércio de armas
A campanha tem como objetivo obter que todos os governos do mundo estabeleçam um Tratado Internacional de Comércio de Armas. A grande pressão exercida pela sociedade civil mobilizada por essas entidades fez com que 156 Estados de todo o mundo, reunidos na Assembléia Geral da ONU em outubro de 2007, concordassem em desenvolver este tratado a fim de que não haja transferências indiscriminadas de armas de fogo.
A Anistia informou que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, consultou os Estados sobre alcances e parâmetros do documento. Até 20 de junho deste ano, data limite para as respostas, 80 países já haviam se manifestado sobre essa consulta. Para sua plena eficácia, as organizações exigem que o tratado se baseie na não autorização de transferências de armas a países onde sejam violados os Direitos Humanos, a países onde se coloque em risco o desenvolvimento sustentável e a países onde se coloque em perigo a estabilidade regional.
Caso isso não seja cumprido, a AI Chile acredita que "as armas seguirão chegando a mãos equivocadas: a governos ditatoriais que subjugam seu povo; a mãos de grupos paramilitares que semeiam o terror na população civil; a células terroristas que cometem atentados que acabam com a vida de gente inocente; ou a mãos de delinqüentes e narcotraficantes que convertem as cidades em campos de batalha".
Em 2006, a ONU divulgou um estudo demonstrando que mais de 200 mil homicídios com armas de fogo ocorriam anualmente no mundo, sendo que a metade destes tiravam a vida de jovens de 15 a 29 anos. Dados da Direção Geral de Mobilização Nacional dão conta de que circulam pelo Chile mais de 700 mil armas registradas em poder da população civil, e 20%, não registradas, estão em poder da delinqüência.
Nos Estados Unidos, estudos revelam que há pelo menos 200 milhões de armas em circulação. Cerca de 45% dos lares estadunidenses possuem uma arma. Cerca de 30 mil mortes são provocadas por armas de fogo a cada ano. A maior parte causada por suicídios, com 58%, os assassinatos vêm em segundo lugar com 40%, e os 2% restantes são provocadas por acidentes.
Em 2006, os fabricantes de armas estadunidenses chegaram a produzir 1,5 milhão de rifles, 1 milhão de pistolas, 714 mil escopetas e 382 mil revólveres. Somente 367 mil desse total de armas foram exportados. Os dados são do Escritório Federal de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo (ATF).
