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Ato em defesa da Petrobras reúne mais de 3 mil em São Paulo

 Na manhã desta sexta-feira (19), a CTB, CGTB, UGT, CUT, Conlutas, Intersindical, UNE, UBES, a FUP, militantes dos movimentos sociais  e lideranças dos partidos de esquerda  realizaram ato público em defesa da Petrobras, da soberania nacional e por uma nova lei do petróleo, reunindo mais de 3 mil manifestantes na Av. Paulista, em frente a sede da Petrobrás em São Paulo.

Com a palavra de ordem "leilão, leilão, é privatização" e "o petróleo é nosso e não vamos abrir mão", os manifestantes demonstraram a indignação diante das tentativas do PSDB/Demos de desestabilizarem a companhia com a instauração de uma CPI no Senado Federal.

Olho vivo

Segundo Wagner Gomes, presidente da CTB, é importante a sociedade entender o que representa a CPI da Petrobras. "Todos nós sabemos com que esta CPI tem busca desestabilizar a Petrobrás para depois alegar que a única saída é a sua privatização. Precisamos lutar contra isso. Sabemos que esse processo foi iniciado a partir da descoberta da camada pré-sal, que fortaleceu a intenção de privatização da empresa e a entrega da exploração da camada pré-sal às multinacionais", disse o presidente da CTB.

 Para Wagner Gomes é fundamental que os diversos segmentos sociais e forças políticas de esquerda se unam para barrar esse processo que só causará prejuízos à população brasileira. Para ele, a defesa do patrimônio brasileiro deve ser o principal ponto da pauta para os sindicalistas.  "A defesa do petróleo é prioridade para o movimento sindical. Nós não vamos deixar que uma das maiores estatais da América do Sul caia nas mãos do capital internacional. Não é primeira vez que esse governo tucano privatista rifa o patrimônio brasileiro. Por isso temos que denunciar e abrir os olhos da população para o que está acontecendo".
FHC e o desmonte do Estado

Lesa pátria
O presidente nacional da CUT, Artur Henrique,  disse que a pressão popular será decisiva para garantir a mudança do marco regulatório e acabar com os leilões das bacias petrolíferas, que são verdadeiros bilhetes premiados entregues às multinacionais. Artur afirmou que o início dos famigerados leilões foi em 1997, quando o governo FHC instituiu a Lei 9478 e permitiu as empresas estrangeiras explorarem as riquezas do Brasil. "O interesse da direita com a CPI é impedir que esse verdadeiro crime lesa-pátria tenha fim e as imensas riquezas do pré-sal sejam utilizadas soberanamente no progresso da nação brasileira, em políticas sociais que garantam justiça e desenvolvimento" frisou.

Mobilização nacional

De acordo com dados da FUP (Federação Nacional dos Petroleiros), no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (2002), a Petrobrás tinha menos de 32 mil trabalhadores, pouco mais da metade dos 60 mil funcionários de 1989. O resultado foi o aumento de acidentes e nove desastres ambientais, entre eles o afundamento da P-36, na Bacia de Campos. Além do prejuízo de 1 bilhão de dólares, a tragédia causou a morte de 11 trabalhadores e o vazamento de 1,5 milhão de litros de óleo no mar.
Por todo território brasileiro

 Com apoio do movimento sindical, a FUP está realizando a campanha "O Petróleo é Nosso" em diversas regiões do país. De acordo com coordenador-geral da entidade, João Antônio de Moraes, foram realizadas diversas manifestações que visam mobilizar parlamentares e toda a sociedade organizada. "Fizemos diversos atos Brasil a fora do país. Lançamos a frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras que já conta com a assinatura de 400 parlamentares. Essa resposta esta refletindo na população" revelou Moraes.

De acordo com Moraes, a Frente Parlamentar foi instalada para atuar por tempo indeterminado e pretende promover a defesa da Petrobras como estratégica de soberania nacional. Também vai realizar debates sobre o desenvolvimento de tecnologias competitivas para a produção de combustíveis fósseis e de etanol em bases sustentáveis e aperfeiçoar a legislação atual no setor e produção de energia, além de ampliar o debate sobre o desenvolvimento do pólo pré-Sal.

O petróleo é nosso

 Diversas entidades do movimento estudantil lembraram que na da década de 1950 os movimentos sociais lançaram uma campanha em defesa da criação de uma estatal petrolífera. Segundo Lúcia Stumpf, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) a entidade teve papel destacado na criação da Petrobrás em 1953. "Saímos às ruas na década de 50 quando para dizer que o petróleo é nosso e a exigir a criação de uma estatal, quando o governo da época alegava que não havia petróleo no solo brasileiro. Hoje, mais  uma vez nos mobilizamos para dizer que o pré-sal é nosso e que é necessário  um novo marco regulatório para garantir que os recursos oriundos da exploração da camada pré-sal sejam investidos em educação, saúde, moradia e reforma agrária", declarou a líder estudantil.

No mês de julho, entre os dias 15 a 19, A UNE realiza o seu 51º Congresso, que pretende reunir mais de 15 de estudantes em Brasília. Durante o evento será realizado um grande ato público em defesa da Petrobrás. "Vamos ocupar a Esplanada dos Ministérios para fazer um ato em defesa da Petrobras, do Pré-Sal, e por um novo marco regulatório", disse a presidente da UNE.


Desafio

A necessidade de defender a Petrobras, a soberania nacional e uma nova lei do petróleo, foram temas abordados no Seminário "Desafios para o Movimento Sindical numa Conjuntura de Crise", realizado pela CTB e CES (Centro de Estudos Sindicais) nos dias 16 e 17 de junho, em São Paulo, que reuniu 60 lideranças sindicais, representando 27 sindicatos de 18 estados, 3 federações e 3 confederações.


Segundo João Batista Lemos, secretário adjunto de relações internacionais da CTB, a Central defende a suspensão dos leilões até a definição de um novo marco regulatório, também reivindica o controle majoritário das ações preferenciais que hoje está em torno de 65% nas mãos do capital privado, basicamente estrangeiro, e quer que a Petrobras seja uma empresa 100% estatal para controlar a exploração e o destino dos lucros obtidos com o pré-sal.

Cinthia Ribas - Portal CTB

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