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Ato em São Paulo marca 'estréia' da CTB no 1º de Maio

O 1º de Maio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) em São Paulo, organizado em conjunto com a União Sindical dos Trabalhadores (UST), reuniu, durante todo o dia, milhares de pessoas na Praça Brasil, Cohab José Bonifácio - também conhecida como ''Cohab II'' -, para prestigiar o show cultural e o ato político da central.


Por Osvaldo Bertolino, no Portal da CTB



Segundo Onofre Gonçalves de Jesus, secretário-geral da CTB-SP e responsável pela organização do evento, a região, que fica na zona leste da cidade, conta com cerca de 170 mil famílias - umas das maiores comunidades paulistanas. Às 16 horas, após uma maratona de shows que começou às 10 horas, as lideranças sindicais e políticas discursaram para um público e atento.


Wagner Gomes, presidente nacional da CTB, iniciou o ato político saudando os presentes num dia especial para os trabalhadores em todo o mundo. Em seguida discursou o secretário-geral da Federação Sindical Mundial (FSM), George Mavrikos. Ele disse que trazia uma saudação especial da FSM, que representa 65 milhões de trabalhadores em todo o planeta.


Segundo ele, na Europa, na Ásia e em todas as partes do planeta os trabalhadores vêem com otimismo a evolução e os processos pelos quais a América Latina está passando. ''Apoiamos as mudanças que ocorrem na Venezuela, na Bolívia, no Paraguai, na Nicarágua e no Equador'', disse ele. ''Apoiamos os governos que dizem 'não' aos imperialistas norte-americanos e da Otan, assim como apoiamos a revolução cubana'', destacou.


Para Mavrikos, cada povo deve decidir seu presente e seu futuro. ''A FSM chama a todos os trabalhadores da América latina a unir-se e a lutar contra o inimigo comum, a lutar contra as discriminações, contra a pobreza e contra a exploração'', ressaltou. Para isso, segundo ele, o mundo precisa de um movimento sindical vivo, democrático, de orientação classista, que contribua efetivamente com as mudanças políticas e sociais'', ressaltou.


Mavrikos também lembrou a hipocrisia do governo dos Estados Unidos, dos organismos internacionais e da União Européia quando falam em combate à pobreza. ''São hipócritas porque é da sua política que vêm a pobreza para muitos e a riqueza para poucos, a exploração e as guerras'', disse. ''Lutamos contra eles, lutamos por uma sociedade justa, sem exploração do homem pelo homem, contra o imperialismo e o neoliberalismo'', enfatizou. E terminou citando a frase famosa de Karl Marx: ''Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!''.


Evento comercial


Em seguida falou Margarete Gomes Valente, integrante do diretório municipal do PT, que saudou o ato em nome do deputado federal Jilmar Tatto, do deputado estadual Enio Tatto e do vereador Arselino Tatto - todos do PT.


O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi o orador seguinte. Ele lembrou que o 1º de Maio é um dia mundial em que os trabalhadores vão às ruas e às praças em defesa do emprego, de melhores salários, moradia digna, educação e segurança. O deputado explicou que São Paulo é uma cidade em que as injustiças ainda predominam.


Para Wagner Gomes, o ato superou as expectativas. ''Tivemos pouco tempo para a preparação e divulgação. Por isso, o número de pessoas presentes surpreendeu'', disse ele. O presidente da CTB ressaltou que durante o ato político a população permaneceu atenta às mensagens dos líderes sindicais e políticos. ''Este dia é muito importante para os trabalhadores e valeu o esforço gigantesco dos organizadores do evento para obtermos o sucesso que vimos aqui'', disse ele.


Severino Almeida, secretário de Relações Internacionais da CTB, também fez uma avaliação positiva do evento. ''Vejo este ato com otimismo, porque a CTB em curto espaço de tempo conseguiu organizar uma atividade que reuniu esta multidão que está aqui'', disse ele.


João Batista Lemos, secretário adjunto de Relações Internacionais, também elogiou o ato e lembrou que o ideal seria a realização de um 1º de Maio unitário e politizado. ''Infelizmente, a CUT e a Força Sindical optaram pelo caminho de procurar grandes patrocinadores para transformar este dia em um evento comercial'', disse ele.


Teste de mobilização


Antônio Lopes, secretário de Finanças da CTB-SP, fez uma avaliação positiva do ato. ''O evento superou todas as expectativas, tendo em vista o curto espaço de tempo para a sua preparação e divulgação'', disse ele. Lopes lembra que este é o primeiro ato público organizado pela CTB, o que mostra o seu potencial de mobilização.


Nivaldo Santana, vice-presidente nacional da CTB, também registrou a boa presença de público no ato. ''A CTB passou no teste de mobilização porque em 15 dias conseguiu organizar este evento representativo'', afirmou. Para ele, a CTB já é uma central com presença consolidada no movimento sindical.


Onofre, o secretário-geral da CTB-SP responsável pela organização do evento, estimou que 10 mil pessoas estavam presentes quando o cantor Netinho se preparava para subir ao palco, logo após o ato político. Ele, que é morador da região, registrou que a resposta da população à convocação da CTB e da UST se deve ao fato de ali haver uma densa população trabalhadora. ''Os moradores entenderam o propósito do nosso ato e nos receberam de braços abertos, ouvindo nossas mensagens e prestigiando o evento'', completou. 


Orgulho para a FSM


Em uma rápida conversa com o Portal da CTB, com tradução para o espanhol de Fotini Malisiova, Mavrikos disse que optou por acompanhar o 1º de Maio do Brasil por causa da importância que a CTB tem para o movimento sindical classista mundial. ''Este é o dia mais importante para os trabalhadores em todo o mundo e, hoje, temos a oportunidade de demonstrar a nossa luta contra a discriminação, a pobreza e a exploração'', afirmou.


Ele lembrou aque a FSM conta com 180 entidades sindicais filiadas, em 80 países, e representa 65 milhões de trabalhadores. Mavrikos disse que é a segunda vez que vem ao Brasil e que ficou impressionado com a força demonstrada pela CTB.


Para ele, a central tem um papel de destaque no processo de mudanças pelo qual passa a América Latina. Segundo o secretário-geral da FSM, a CTB é uma organização sindical classista e certamente vai ocupar um espaço importante no movimento sindical da região.


Mavrikos ressaltou que a central, junto com a CGTB - que também é filiada à FSM -, pode desenvolver ações conjuntas. E enfatizou que as mudanças em curso na América Latina influenciam a luta dos povos em todo o mundo.


Ramón Cardona, secretário da FSM para as Américas, também registrou seu otimismo com a CTB. ''Para uma central que nasceu há apenas quatro meses, reunir essa massa é motivo de comemoração'', disse ele. ''Temos orgulho de ter a CTB filiada à FSM.''


Veja quais foram as bandeiras da CTB neste 1º de Maio


- Pela redução da jornada de trabalho sem redução do salário!

- Pela ratificação das convenções 151 e 158 da OIT!

- Contra o racismo!

- Moradia digna para o povo trabalhador!

- Escola pública com melhor qualidade!

- Pelo fim do fator previdenciário!

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