Ato sindical lembra repressão aos trabalhadores durante a ditadura
“É possível lutar por uma sociedade mais justa para que os trabalhadores não sofram com a experiência negativa da ditadura militar”, declarou o secretário de Políticas Sociais da CTB, Rogério Nunes, durante sua intervenção no Ato Sindical Unitário "O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e o enfrentamento ao golpe de 64 – Homenagem aos Lutadores”, que ocorreu na manhã desta terça-feira (1º/10) no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo.

O ato, que reuniu cerca de 300 pessoas, entre eles diversos sindicalistas que sofreram torturas e repressões no período ditatorial (1964-1985) no país, também contou com a presença de dirigentes da CTB entre eles presidente nacional da Central, Adilson Araújo, além de parlamentares, como o deputado estadual do PT, Adriano Diogo.
A integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Rosa Cardoso, que também coordena o Grupo de Trabalho (GT) “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical” - mediador na mesa composta por representantes das centrais sindicais que integram o GT - contou como funciona o processo de investigação da comissão.
“No caso dos mortos e desaparecidos temos que tomar o caso e esclarecer o fato e refazer estas pericias como fizemos no caso do [Vladmir] Herzog, porque tinha um documento dizendo que ele cometeu suicídio e nós tivemos que reconstituir para dizer que foi morto mediante tortura”
Ela denunciou que as mortes, assassinatos e torturas dos trabalhadores do campo é muito maior do que o divulgado e destacou a importância dos sindicatos. “É preciso que hajam entidades como são os sindicatos que dão organização às lutas da classe trabalhadora e é por isso que este GT também investiga o que aconteceu com os sindicatos, as intervenções, as cassações e também o confronto da classe empresarial com os trabalhadores”.
O representante a CTB, Rogério Nunes, solidarizou-se com as vítimas da repressão na ditadura e reafirmou a importância do trabalho feito pela Comissão da Verdade, para ele “é necessário resgatar este passado heróico de luta e conseguir a unidade dos trabalhadores”, exclamou.
Na oportunidade os sindicalistas lembraram-se de suas experiências no período como o representante da UGT, Ricardo Patáh, que destacou a luta das mulheres e a resistência dos jovens.
Já o presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos, falou sobre a truculência da polícia “O que mais me chama a atenção é que a forma como a polícia agia é a mesma forma como age atualmente [...] a repressão à classe trabalhadora virou uma cultura”, frisou.
Por sua vez, o secretário-geral da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, também falou sobre a repressão da polícia, principalmente contra os jovens e negros.
Os homenageados Raphael Martinelli, ex-líder ferroviário que atualmente preside o Fórum Permanente dos Ex-presos e perseguidos políticos de São Paulo e Clodsmith Riani, eles ajudaram a organizar o CGT e participaram ativamente dos movimentos de resistência à ditadura, contaram suas experiências através de vídeos e saudaram os participantes do ato.
Outro homenageado que fez questão de comparecer foi Alcídio Boano, ex-presidente do sindicato dos condutores que foi torturado durante 14 dias, ele contou emocionado que se formou em direito e é advogado de todos os que foram presos com ele.
Representando o GT, Sebastião Neto, do Projeto Memória da Oposição Metalúrgica de São Paulo, Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas (IIEP), falou sobre a importância da divulgação dos 11 pontos (veja aqui quais são) sobre a repressão aos trabalhadores que norteiam as atividades do grupo e também foi entregue um questionário contribuir com dados sobre a época.

Foto: Rede Brasil Atual
No encerramento do ato foram homenageados com uma salva de palmas : Adílio Roque, Ana Martins, Djalma Bom, José Apolinário, Maria Sallas, Oswaldo Lourenço, Paulo Csem, Ricardo Segundo Guerra, Sebastião Silva de Souza, Sidnei Fernandes Cruz, Sinfrônio de Souza e Geraldo José Sardinha.
Os próximos atos unitários promovidos pelo GT dos Trabalhadores em conjunto com a CNV ocorrerão em Ipatinga (MG) no dia 7 de outubro - data que marca o confronto entre policiais militares e operáriosda Usiminas que deixou mais de 120 trabalhadores feridos e um número de mortos que até hoje não foi esclarecido - em São Bernardo do Campo (SP) no dia 30 de outubro, em Santos (SP) e em Osasco (SP).
Érika Ceconi - Portal CTB
