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Bancário do Bradesco é reintegrado após dez anos

Em abril de 1998, o bancário do Bradesco Sérgio Gomes Pereira foi demitido da agência Vila Mariana, apesar de ser portador de uma série de doenças ocupacionais causadas pelo trabalho no banco. Ele sofria de tendinopatia inflamatória, tenossinovite no punho direito e tinha sistos sinuviais nos membros superiores. "Me demitiram sem explicar a razão. Na demissão dizia apenas que os motivos já 'eram do meu conhecimento'. Eu não podia aceitar aquilo", disse Sérgio.

E não aceitou. Imediatamente Sérgio procurou o setor jurídico do SEEB-SP, onde obteve toda a orientação sobre como proceder. Os advogados da entidade entraram com ação trabalhista pleiteando a reintegração do bancário. Apesar de a primeira perícia determinada pela Justiça ter concluído tratar-se de doença laboral (Dort) e constatado nexo causal com as atividades desempenhadas no banco, a juíza julgou a ação improcedente.

O setor jurídico do Sindicato recorreu da decisão para o Tribunal Regional que, em 2001, deu ganho de causa ao bancário, determinando sua reintegração ao banco. O banco recorreu então ao Tribunal Superior do Trabalho, que manteve a decisão favorável ao trabalhador. Além da reintegração, a decisão determina o pagamento de todos os salários do período em que o bancário esteve afastado. "O banco deve recorrer desta decisão referente à indenização, e ainda vamos lutar pela sua manutenção. Mas a reintegração não tem mais volta, é final", disse Daniela Zeferino, advogada do escritório contratado pelo Sindicato. As custas de todo o processo correram por conta da entidade.

Atrás dos direitos - Para Sérgio, que deve retornar ao trabalho assim que realizar exames médicos e cumprir algumas etapas burocráticas, o apoio do Sindicato foi fundamental. "A gente precisa ir atrás, precisa saber dos nossos direitos, e o Sindicato ajuda muito nesse sentido. Se não fosse a orientação do Sindicato eu não saberia, por exemplo, que tinha direito ao auxílio-acidentário, que recebo desde 1993."

Sérgio destaca também a importância de o bancário se aproximar da entidade que o representa. "Tem bancário, até às vezes sindicalizado mesmo, que nem sabe onde fica o Sindicato. Se a gente paga, tem mais é que usar a estrutura que vocês oferecem e se aproximar da entidade, porque quando o bancário fica doente pode esquecer, o banco não está nem aí, se fica doente não serve mais e pode jogar fora. É nessa hora que a gente reconhece a importância do Sindicato", diz.

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