Bancários de São Paulo aprovam propostas da Fenaban, BB e Nossa Caixa
No dia 17 de setembro, quando apresentaram uma proposta rebaixada que levou os trabalhadores a cruzar os braços, os banqueiros deixaram claro que não pretendiam pagar aumento real nos salários. Também sugeriram um modelo de PLR que reduzia drasticamente a parcela dos trabalhadores, com teto de 4% para a distribuição do lucro.
"A greve que tomou os bancos públicos e privados forçou os bancos a mudar a proposta. Foram obrigados a pagar o aumento real e mudar o formato da PLR, graças à garra dos trabalhadores", diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. A proposta contempla reajuste de 6% (aumento real de 1,5%) e PLR de 90% do salário mais R$ 1.024, com teto de R$ 6.680. O valor pode ser majorado até que seja distribuído pelo menos 5% do lucro líquido, podendo chegar a 2,2 salários, com teto de R$ 14.696.
Conquista
A luta dos trabalhadores avançou principalmente em relação ao pagamento do valor adicional à PLR. Como o modelo anterior era condicionado ao crescimento do lucro em pelo menos 15%, este ano praticamente nenhum banco pagaria o adicional. Com o novo modelo, conquistado após 15 dias de greve, será distribuído 2% do lucro líquido de forma linear a todos os trabalhadores, com teto de R$ 2.100 tenha o lucro crescido ou não.
O valor não pode ser descontado dos programas próprios. Com o novo formato da PLR os bancários podem receber até 2,2 salários pela regra básica, com teto de R$ 14.696 que somados ao teto de R$ 2.100 chega a R$ 16.796.
"Esse é um importante avanço, que garante o pagamento do adicional independentemente do crescimento do lucro. O Sindicato vai fiscalizar os balanços dos bancos, para que não sejam utilizados subterfúgios que reduzam o pagamento aos trabalhadores", ressalta Marcolino.
Seis anos de luta
O presidente do Sindicato comemora a retomada do movimento de massa entre os bancários, que desde 2004 garante aumento real de salários e avanços na PLR e novas conquistas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). "Temos a melhor CCT do Brasil, conquistada em anos de luta que os bancários mais jovens têm ajudado a manter e a ampliar. Todos os anos os bancos vêm para a mesa de negociação visando a retirada de direitos e nós temos conseguido, com muita garra e disposição, garantir o que é nosso", diz.
Marcolino destaca a retomada do teto de 15% na distribuição do lucro. "Os bancos queriam rebaixar esse teto para 4% e imputar aos trabalhadores enorme perda. Esqueceram que os bancários são gente de luta, que não se dobra, e foram obrigados a voltar atrás."
BANCO DO BRASIL
Geração de 10 mil novos empregos, manutenção do formato da PLR e reajuste de 3% no Plano de Cargos e Salários (PCS), além da aplicação do índice de 6% nos salários e verbas conquistado junto à Fenaban e avanços na isonomia. Esses são alguns dos avanços conquistados pelos trabalhadores do BB e que farão parte do acordo coletivo específico.
A proposta foi aprovada durante assembleia realizada com a participação de mais de 800 trabalhadores. A aplicação do índice de reajuste de 6%, nos salários e verbas, é retroativa a 1º de setembro, data base categoria. Já o percentual de 3% será aplicado no PCS a partir de 1º de outubro, corrigindo toda a curva salarial.
Para diminuir o sufoco nas agências a criação de novos postos de trabalho passou de três mil para dez mil novos empregados para a rede de agências. As novas contratações ampliarão o quadro de funcionários do BB em cerca de 10%.
"O aumento no quadro de funcionários aliviará o volume de tarefas nas agências, melhorando as condições de trabalho", avalia o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
CAIXA
Os empregados da Caixa Econômica Federal entram na sexta-feira, dia 9, em seu 16º dia de greve nacional. A decisão foi tomada durante assembléia com cerca de 500 trabalhadores de agências e concentrações.
Dessa forma, os empregados decidiram intensificar a paralisação para pressionar a direção da empresa a atender as reivindicações dos trabalhadores. Uma nova assembleia será realizada na sexta-feira 9, às 16h, na Quadra dos Bancários.
"Os bancários de outras instituições financeiras, inclusive públicas, já chegaram a um acordo e garantiram aumento real e Participação nos Lucros e Resultados que valorizam os bancários. A mesma disposição não temos tido por parte da Caixa", diz o diretor do Sindicato Eduardo Nunes.
Fonte: Seeb São Paulo
