Bancários rejeitam proposta dos bancos e decidem greve a partir do dia 19
Nas assembleias realizadas nesta quinta-feira à noite em todo o país, os bancários rejeitaram a proposta de 6,1% de reajuste apresentada pela Fenaban e decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 19, conforme orientação do Comando Nacional.
Além de negar aumento real nos salários, pisos, PLR e todas as verbas salariais (os 6,1% apenas recompõem a inflação do período medida pelo INPC), a proposta da Fenaban ignora todas as reivindicações dos bancários sobre emprego, saúde e condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades. O Comando está orientando as entidades sindicais intensificarem a mobilização em todo o país.
Segundo as informações recebidas pela Contraf até as 21h00, os bancários das bases dos seguintes sindicatos haviam aprovado a greve por tempo indeterminado a partir do dia 19:
São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Pernambuco, Ceará, Bahia, Sergipe, Alagoas, Acre, Paraíba, Piauí, Campo Grande, Mato Grosso, Florianópolis, Espírito Santo, Pará, Maranhão, Rondônia, Niterói, Amapá, Campinas, ABC paulista, Guarulhos, Londrina, Uberaba, Campina Grande, Vitória da Conquista, Novo Hamburgo, Bragança Paulista, Limeira, Alegrete, Mogi das Cruzes, Vale do Ribeira, Piracicaba, Sul Fluminense, Rondonópolis, Juiz de Fora, Campo Mourão, Cruz Alta, Teresópolis, Santa Maria, Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Bagé, Macaé, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Dourados, Aracanguá, Vale do Caí, Apucarana, Vale do Paranhana, Extremo Sul da Bahia, Naviraí, Cornélio Procópio, Paranavaí, Toledo, Umuarama, Guarapuava, Arapoti, São Miguel do Oeste.
Calendário de luta
17 e 18 - Todos a Brasília para pressionar os deputados federais durante a audiência pública sobre o PL 4330 no plenário da Câmara.
18 - Assembleia organizativa para encaminhar a greve.
19 - Deflagração da greve nacional dos bancários por tempo indeterminado.
A proposta da Fenaban
Reajuste - 6,1% (inflação do período pelo INPC) sobre salários, pisos e todas as verbas salariais (auxílio-refeição, cesta-alimentação, auxílio-creche/babá etc.)
PLR - 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61 (o que significa reajuste de 6,1% sobre os valores da PLR do ano passado).
Parcela adicional da PLR - 2% do lucro líquido dividido linearmente a todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88.
Adiantamento emergencial - Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.
Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho - Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.
Adoecimento de bancários - Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.
Inovações tecnológicas - Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.
As reivindicações dos bancários
> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)
> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.
> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).
> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.
> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.
Fonte: Contraf
