Banco do Brasil tem maior valorização das Américas
No período, os papéis do BB subiram 80,87%. O Morgan Stanley, segundo colocado, teve alta de 78,31%. Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander Brasil ocupam, respectivamente, o quarto, quinto e sexto lugares na lista das ações que mais subiram. Nos dados da Economática os valores foram ajustados para o dólar, que no período caiu 16,5% em relação ao real.
Na lista das 20 instituições com melhor resultado, 10 tiveram desempenho negativo. No fim do ranking está o Citigroup, com queda de 55,63%.
"Os números mostram que os bancos brasileiros tiveram uma importante recuperação, principalmente no segundo trimestre, o que confirma que as instituições brasileiras tem uma estrutura bem diferente da americana", explica Einar Rivero, responsável pelos dados, gerente de relacionamento institucional e comercial da Economática. O levantamento levou em consideração apenas os bancos com mais de US$ 100 bilhões em ativos.
Para Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, a recuperação dos bancos americanos é surpreendente, sobretudo depois que muitos deles "quase viraram pó". Os bancos americanos que encabeçam a lista, diz Santacreu, tiveram um reforço com a aquisição do filé mignon de instituições quebradas. É o caso do JP Morgan e do Goldman Sachs, cita.
O analista lembra que os bancos brasileiros também sofreram com a quebra do Lehman Brothers, principalmente os de médio porte, abatidos pelos saques dos investidores estrangeiros. A situação beneficiou as instituições de grande porte, como Bradesco e BB, para onde migrou parte desses depósitos.
"Logo se percebeu a solidez das bancos e eles voltaram a se valorizar. Era um período de ações baratas, mas agora é difícil saber se já não estão próximas do limite, porque a bolsa vem cedendo", comenta Santacreu.
Mariana Taddeo, analista da Link Corretora, lembra que a situação das instituições brasileiras se descolou dos EUA em boa parte porque são menos alavancadas e não estavam no meio de um calote generalizado do setor imobiliário. "Agora, o momento será de se observar como vai se comportar a inadimplência no Brasil. No segundo semestre, o crédito deve continuar crescendo. Com juros menores, os bancos vão ganhar menos, mas poderão aumentar o volume emprestado", argumenta Mariana.
Fonte: O Estado de São Paulo
