Bancos podem ter a maior greve em 20 anos
O resultado é que o movimento deste ano já é o maior em 20 anos e
caminha para se tornar o mais longo do período. No ano passado, a
paralisação durou 15 dias.
Na última segunda-feira foi
contabilizado o fechamento de mais de 9 mil agências e centros
administrativos de bancos públicos e privados em todos os 26 estados e
no Distrito Federal, segundo balanço da Confederação Nacional dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro. O número equivale a 45,28% das 20.073
agências existentes no país.
Em São Paulo, os bancários fizeram
passeata no Centro de Santo André (grande ABC) a fim de manter a greve
forte. Participaram 200 trabalhadores, 70% a menos do que os 1.000
previstos pelo Sindicato dos Bancários do ABC na sexta-feira.
Já
na Bahia cerca de 696 unidades ficaram sem prestar atendimento nesta
segunda-feira (10). Nos bancos públicos, a mobilização é uma das mais
fortes dos últimos anos. Na capital baiana, todas as 60 agências do
Banco do Brasil permanecem fechadas. Na Caixa são 39 e no BNB três.
Na
rede privada, a adesão também é alta. No Bradesco 38 unidades ficaram
fechadas e no Itaú 45. Todas as 25 agências do Santander continuam sem
funcionar e do HSBC oito sem atendimento.
O Mercantil do Brasil
tem uma unidade lacrada e o Safra e o Citibank duas cada. O Desenbahia
também está na greve desde o primeiro dia. Com o aumento da mobilização
sobe para 224 o número de unidades fechadas em Salvador.
A
paralisação também segue firme no interior. No total 256 agências do BB
estão sem prestar atendimento. Na Caixa são 59 e no BNB 38. Na rede
privada o destaque é o Bradesco que conta com 62 unidades fechadas. O
Itaú tem 28, o Santander 15 e o HSBC 10. Os demais têm quatro agências
fechadas. Cerca de 80% dos bancários participam ativamente da greve,
mesmo com a pressão e o assédio moral dos banqueiros.
Em Sergipe a greve continua crescendo, principalmente no Banese -
Banco do Estado de Sergipe -, quando, no 14º dia de paralisação, o
Sindicato dos Bancários fechou o prédio do Centro de Processamento de
Dados (CPD) do banco, localizado no DIA - Distrito Industrial de
Aracaju. O objetivo é fazer com que o banco melhore a proposta para os
baneseanos.
“Hoje é um dia histórico para nós sindicalistas.
Pela primeira vez numa greve o CPD do Banese foi fechado completamente.
No prédio trabalham mais de 300 funcionários, o que equivale a mais de
dez agências do banco, e das maiores”, comemora José Souza, presidente
do Sindicato dos Bancários de Sergipe.
A greve em Sergipe
começou com 60% de adesão e já se encontra com quase 80%. Em
decorrência do silêncio da Fenaban. O Comando Nacional dos Bancários se
reunirá nesta terça-feira, em São Paulo, para avaliar o movimento.
Em Vitória da Em Conquista e Região, 90,7% dos bancários estão paralisados em 49 agências da Região Sudoeste.
Reinvindicações
A paralisação começou no dia 27 de setembro após as assembleias dos sindicatos rejeitarem a proposta de reajuste salarial de 8%, que representa apenas 0,56% de aumento real. Desde o início da greve, nenhuma nova proposta foi feita pela Fenaban.
Os bancários reivindicam reajuste de 12,8% (5% de aumento real mais a
inflação do período), valorização do piso, maior Participação nos
Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, fim da rotatividade,
combate ao assédio moral, fim das metas abusivas, mais segurança,
igualdade de oportunidades e melhoria do atendimento aos clientes.
A
classe patronal, por sua vez, sustentou que já ofertou duas pautas aos
trabalhadores. E, embora não tenha agendado novas rodadas de discussão,
frisou que está à disposição para acertos da última proposta (que
concede 8% de reajuste, correspondendo a ganhos reais de 0,6%).
Nesta terça-feira (11), o Comando Nacional dos Bancários se reúne, às 10 horas, em São Paulo, para avaliar a greve e ampliar ainda mais o movimento, diante do silêncio da Fenaban em retomar as negociações e apresentar uma proposta decente para a categoria.
