Bancos sobram nos lucros e faltam no emprego
"Lamentamos a falta de responsabilidade social dos bancos, que não têm compromisso com a geração de empregos, um dos combustíveis mais importantes para o crescimento econômico", diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. "A reivindicação de medidas que protejam os empregos ganha mais força na mesa de negociação e será o tema da próxima reunião da Campanha Nacional. Vamos cobrar dos bancos mais respeito com os trabalhadores", completa.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na terça-feira 18 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que o país gerou 437.908 postos de trabalho formal desde janeiro, ampliando o saldo total em 1,37%. O único mês com mais demissões do que contratações foi janeiro, com o fechamento de mais de 100 mil postos. De lá para cá, só abertura.
Já os bancos, de acordo com o mesmo Caged, não só não abriram um só posto novo como fecharam 1.311 entre janeiro e julho, reduzindo o saldo total em 0,22%.
A ramificação Instituições Financeiras foi a única do setor de serviços que "conseguiu" o saldo negativo. As outras cinco aumentaram o número de funcionários formais, entre 1,15% e 4,5%. O setor de serviços como um todo, apesar dos bancos, fechou os sete primeiros meses do ano com crescimento de 2,07% no saldo de postos de emprego formal.
Em todas as comparações possíveis os bancos fazem feio no Caged. Nos 12 meses entre julho do ano passado e deste ano, o saldo cresceu 1,01% no país e 3,35% no setor de serviços. O dos bancos aumentou apenas 0,75%. Na comparação somente entre os meses de julho de 2008 e de 2009, o saldo no Brasil cresceu 0,43%, o de serviços, 0,21% e os bancos, míseros 0,06%.
Lucros - Crise, falta de recursos ou situação difícil, ou algo parecido, não poderão ser usadas como desculpas pelos banqueiros. O setor bancário foi o que mais lucrou no pais no primeiro semestre de 2009: R$ 14 bilhões. Além disso, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, que representam cerca de 70% do sistema financeiro do país, ocupam, respectivamente, as três primeiras colocações no ranking composto por instituições da América Latina e dos Estados Unidos.
