BB não apresenta proposta e Comando orienta greve a partir do dia 29
Um dia depois da Fenaban rejeitar a pauta de reivindicações da
categoria, o Banco do Brasil, seguindo a postura dos banqueiros, se
recusou a apresentar proposta para as principais reivindicações
específicas dos funcionários da empresa. Após os representantes do banco
anunciarem essa posição, o Comando Nacional dos Bancários suspendeu a terceira rodada de negociações que se
realizou no final da tarde desta quinta-feira (23), na sede da
Superintendência do Banco em São Paulo. Imediatamente após o encontro, os representantes do Comando e da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB se reuniram e decidiram conclamar os funcionários do BB a irem à greve a partir do dia 29, caso os banqueiros não apresentem nada de novo que atenda a categoria até segunda-feira, dia 27.
"O BB perdeu mais uma chance de ser protagonista entre os bancos, ao seguir a postura intransigente da Fenaban e não apresentar propostas satisfatórias para as reivindicações específicas do funcionalismo", criticou Carlos Cordeiro, coordenador do Comando Nacional.
"O banco registrou lucro líquido de R$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2010, com aumento do crédito e queda da inadimplência. O resultado é quase 27% superior a igual período do ano passado. O resultado positivo do BB representa um quarto de todo o lucro líquido dos seis maiores grupos do país (BB, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC). Não há motivo para o banco não atender as reivindicações econômicas, elevar o piso irrisório atual para R$ R$ 2.157,88, implementar um PCCS digno, abrir novos e mais postos de trabalho e implementar a jornada de seis horas para todos", completa Eduardo Araújo, coordenador da Comissão de Empresa.
"Há um abismo entre a prática do BB e o que queremos de um banco público. Com metas abusivas, pressões e ameaças de descomissionamentos, além de quadro próprio de pessoal insuficiente e incremento de terceirizações, o BB gera um resultado expressivo, mas demonstra falta de sensibilidade com a saúde física e mental dos funcionários", avaliou Olivan Faustino, representante da Federação dos Bancários da BA e SE.
Segurança bancária e portas giratórias
No início da negociação, Ademir Wiederkehr, coordenador da Coletivo Nacional de Segurança Bancária, apresentou as reivindicações específicas do setor, como assistência e estabilidade no emprego e na função às vítimas de assaltos e sequestros, proibição à guarda das chaves e ao transporte de numerário pelos bancários, ampliação dos equipamentos de prevenção e acessos às estatísticas de ocorrências no banco, dentre outras. O BB ficou de analisar essas propostas com a área de segurança do banco.
Sobre o projeto-piloto de retirada das portas giratórias de segurança com detectores de metais em algumas agências, que tem sido objeto de protestos dos sindicatos, o BB afirmou que suspenderá essa medida até a discussão final de todas as reivindicações, prometendo realizar uma reunião específica sobre segurança bancária.
Trava e comissões nas CABBs
O banco apresentou um pequeno avanço na discussão relativa às travas nas CABBs, mas manifestou ainda que quer fazer novos estudos e discussões sobre as comissões nas centrais de atendimento. Os representantes do funcionalismo reiteraram o pedido para retirada da trava de relacionamento, considerando a especificidade do trabalho desenvolvido nesses locais.
Veja as reivindicações específicas do funcionalismo do BB:
As reivindicações específicas do BB, aprovadas pelo 21º Congresso Nacional dos Funcionários realizado entre 28 e 30 de maio, foram entregues à direção do banco no dia 20 agosto. Ocorreram três rodadas de negociação. As principais reivindicações são:
- Aumento do piso do PCS e crescimento horizontal nas comissões do PCC, com incorporação anual das gratificações de função.
- Fim dos descomissionamentos com base em uma única avaliação de desempenho, transferindo-se essa alçada exclusivamente para a Gepes.
- Jornada de 6 horas para todos os cargos técnicos, sem redução de salários.
- Concessão da licença-prêmio, completando o processo de isonomia dos funcionários.
- Fim da Lateralidade e dos desvios de função, com a volta das substituições para todos os cargos.
- Indenização da Gratificação Variável para os ex-funcionários do Banco Nossa Caixa e desmembramento das verbas salariais incluídas no VCPi de todos os egressos de bancos incorporados.
- Ampliação do número de caixas em todas as agências e efetivação dos substitutos.
- Garantia da comissão e dos benefícios para os afastados por licença-saúde, para todo o período de afastamento.
- Eleição de representante dos funcionários para o Conselho de Administração.
- Fim das metas abusivas, das cobranças individuais e dos rankings de produtividade.
- Fim da terceirização do serviço bancário.
- Fim do correspondente bancário.
- Vincular a Ouvidoria interna ao Conselho de Administração, de forma a fortalecer sua posição no combate ao assédio moral dentro do banco.
Intensificar a mobilização e preparar a greve
O Comando Nacional conclama todos os funcionários do BB a fortalecerem a mobilização em seus locais de trabalho e participarem em massa da assembléia geral dos sindicatos na próxima terça-feira, dia 28, para deflagrar a greve geral a partir do dia 29.
