Brancos ganham 40% a mais que negros e pardos no Brasil, diz estudo
No Brasil, pessoas brancas ganham em média 40% a mais do que negras ou
pardas com mesma escolaridade. Esse foi um dos resultados da Síntese
dos Indicadores Sociais 2007, uma análise das condições de vida da
população brasileira nos últimos dez anos, divulgada na manhã desta
sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa mostrou que os rendimentos de negros e pardos são menores
que os dos brancos, mesmo se considerados os chamados rendimentos-hora
de acordo com grupos de anos de estudo. Em relação à participação na
apropriação da renda nacional, as desigualdades permanecem em todas as
regiões. Negros e pardos representam de 73% entre os mais pobres do
País e somente pouco mais de 12% entre os mais ricos.
Outro ponto que mostra as desigualdades relativas à etnia é o da
escolaridade. Foi identificado que a taxa de analfabetismo entre negros
e pardos é mais que o dobro da dos brancos. Entre os cerca de 14,4
milhões de analfabetos brasileiros, mais de 10 milhões pertenciam ao
primeiro grupo. Brancos também apresentam taxas muito maiores de acesso
ao ensino superior: 56% contra 22% de negros e pardos. Entre os que
concluíram a faculdade, 78% eram de cor branca, 3,3% de cor negra e
16,5% eram pardos.
Elaborado na maior parte com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad), o estudo também traz capítulos específicos sobre
demografia, educação, domicílios, famílias, casamentos, mulheres,
idosos e jovens.
Um dos pontos positivos mostra que entre 1996 e 2006, o número de
crianças que freqüentam a escola aumentou. Nas idades de 0 a 3 anos, os
percentuais dobraram nesse período, de 7,4% para 15,5%. Na faixa
seguinte, de 4 a 6 anos, as taxas passaram de 53,8% para 76,0%. Já nos
jovens de 7 a 14 anos, a freqüência era quase universal em 2006, com
97,6%, sem diferenças marcantes de gênero ou cor. A média de tempo de
estudo da população também apresentou melhoras a cada ano. Por outro
lado, o quadro era menos favorável, porém, para os adolescentes de 15 a
17 anos, faixa correspondente ao ensino médio, na qual a taxa de
freqüência atingia apenas 47,1%.
A quantidade de jovens entre 10 e 15 anos trabalhando diminuiu, mas
permanece o trabalho ilegal de crianças, que é concentrado no Nordeste.
Entre os 2,7 milhões de trabalhadores entre 5 e 15 anos, 1,4 milhão
estavam na atividade agrícola e aproximadamente 776 mil estavam
ocupados na agricultura em estados nordestinos.
Com relação às mulheres, foi constatado que seu nível de escolaridade
permanece maior do que o dos homens, havendo um aumento na diferença
entre os dois grupos. Em 1996, entre as pessoas que freqüentavam
estabelecimentos de ensino superior, 55,3% eram mulheres, número que
aumentou para 57,5%, em 2006. As mulheres também têm menos filhos
atualmente: a família média passou de 3,6 pessoas para 3,2. Apenas a
fecundidade das mães adolescentes cresceu.
Algumas das outras conclusões apontam que o Rio Grande do Sul tem a menor taxa de fecundidade do país, que Alagoas possui a maior taxa de mortalidade infantil e que metade das famílias brasileiras ganhava menos de R$ 350,00 em 2006.
