Brasileiro é infiel aos bancos e acha serviços caros e ruins, diz estudo
Os consumidores brasileiros passaram a confiar mais em seus bancos no ano passado, mas mesmo assim são infiéis às instituições financeiras e acham que os serviços oferecidos são caros e ruins, aponta estudo divulgado nesta terça-feira (16) pela empresa de consultoria e auditoria Ernst & Young.
De acordo com a pesquisa, chamada A New era of customer expectation (Uma nova era da expectativa do cliente, na tradução literal), o comportamento do consumidor brasileiro vai na contramão de outros países mais afetados pela crise de 2008, onde caiu a confiança dos consumidores sobre os bancos.
A média global indica que 59% dos entrevistados possuem contas em dois ou mais bancos. No Brasil, esse índice sobe para 66%
Enquanto
que, globalmente, 44% dos entrevistados afirmaram que a confiança com
os bancos caiu no ano passado, no Brasil apenas 18% dos entrevistados
afirmaram acreditar menos em seus bancos. Por outro lado, 33% dos
brasileiros disseram confiar mais em suas instituições financeiras.
No
entanto, a infidelidade é marca constante na relação entre clientes e
bancos brasileiros, diz o estudo. A média global indica que 59% dos
entrevistados possuem contas em dois ou mais bancos. No Brasil, esse
índice sobe para 66% - tendência que se repete em outros mercados
emergentes, como a China (96%) e a Índia (88%).
No Brasil, 47%
dos entrevistados disseram já ter trocado ou estar planejando trocar de
banco, acima dos níveis de outros mercados emergentes, como na Índia
(24%) e na China (40%).
“Essa situação se explica num primeiro momento por fatores históricos, onde tanto o advento da conta salário quanto o processo de consolidação dos grandes bancos acabaram fazendo com que as pessoas, naturalmente, tivessem contas abertas em vários bancos”, analisa, em nota, Rodrigo Dantas e Silva, sócio de consultoria para o mercado financeiro da Ernst & Young Terco.
Para Dantas e
Silva, o desafio para os bancos fica ainda mais complexo porque os
clientes não fecham as contas antigas, mas simplesmente mudam o banco de
preferência.
A qualidade dos serviços oferecidos é a maior causa
de insatisfação por parte dos clientes bancários – razão citada por 48%
dos consumidores de todo o mundo como principal motivo para planejarem
trocar de instituição. Em segundo lugar aparecem os preços, apontados
por 43% dos entrevistados como principal motivo para essa possível
mudança. Outras razões para deixar uma instituição bancária e ir para
outra incluem ofertas de produtos, proximidade e falta de confiança.
Confiança
“Os
índices de confiança caíram de forma significativa em países
profundamente afetados pela crise financeira de 2008. Nos EUA, por
exemplo, 55% dos entrevistados acreditavam menos em seus bancos em 2010
do que no ano anterior. Na Europa, o Reino Unido viu a maior queda da
confiança dos consumidores, 63% disseram não confiar mais em seus
bancos. Isso é reflexo direto das dificuldades de instituições
financeiras nesses países”, explica Dantas, em nota.
Nos mercados
emergentes, que sentiram menos os efeitos da crise econômica mundial, a
percepção foi diversa. Além do Brasil, 75% dos entrevistados na Índia
disseram, em 2010, que confiavam mais em seus bancos do que no ano
anterior. Na China, esse número ficou em 23%, enquanto que 47% afirmaram
que a confiança não foi impactada pela crise.
“Nos mercados
emergentes, onde os efeitos da crise foram menos sentidos, a confiança
no setor foi reforçada. No Brasil, tal situação provavelmente se
verificará novamente agora, neste novo cenário de turbulência global, o
que reforça o alerta para os bancos, é necessário tratar não somente da
gestão eficiente de capital e custos, mas ao mesmo tempo investir
fortemente na melhora da experiência do consumidor”, afirma Rodrigo
Dantas.
Encontrar uma maneira efetiva para entregar um serviço
personalizado para consumidores será um importante item de sucesso nos
próximos anos. Enquanto o internet banking (83%) e os caixas eletrônicos
(79%) são as ferramentas de relacionamento que os clientes mais aprovam
atualmente, a satisfação com as centrais de atendimento é bem mais
baixa (44%).
Estudo
Para produzir o relatório, a Ernst &
Young fez uma pesquisa global com mais de 20,5 mil consumidores de
bancos de varejo com o objetivo de avaliar o que pauta as relações com
seus bancos.
Fonte: G1
