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Caixa lucra R$ 873 milhões no primeiro trimestre

O balanço da Caixa, divulgado na segunda (19), registra desempenho abaixo do exibido pelos principais concorrentes no primeiro trimestre
Mas há sinais de melhora em relação aos números apresentados em 2007. O lucro líquido ficou em R$ 873 milhões, enquanto que os três maiores bancos de varejo do país apresentaram resultados acima de R$ 2 bilhões. E o crédito comercial cresceu 19,9%, comparado ao primeiro trimestre de 2007, enquanto que o mercado todo avançou 30,2%.

Ao apresentar os números, a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, ponderou que não é correto comparar o desempenho de um banco público com bancos privados. "Bancos públicos têm vocação diferente de bancos privados", afirmou. "Nossa missão é, entre outras coisas, levar serviços bancários a regiões desassistidas, com tarifas mais baixas, e expandir o crédito com juros menores."

O resultado da Caixa representa 39% do lucro do Banco do Brasil, o mais alto registrado pelo sistema financeiro, com R$ 2,3 bilhões. Ficou atrás também dos lucros do Bradesco (R$ 2,1 bilhão) e do Itaú (US$ 2 bilhões). "O nosso lucro é o quarto maior do sistema, e está alinhado com o fato de sermos o quarto maior banco em volume de ativos", afirmou Maria Fernanda. O resultado apresentado no primeiro trimestre é 12% maior do que o exibido em igual período de 2007.

Ela lembrou ainda que 100% do lucro da Caixa é obtido de suas atividades bancárias, ao contrário dos outros três bancos, que tiveram a ajuda de receitas extraordinárias, como a ativação de créditos tributários e a venda de participações acionárias. O vice-presidente de ativos de terceiros da Caixa, Bolivar Tarragó Moura Neto, ponderou que o indicador adequado para medir o desempenho do banco não é o lucro, mas o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido, de 34,7% no trimestre, resultado em linha com os do Bradesco 32%) e Itaú (31,3%), mas abaixo do Banco do Brasil (43,5%).

Outro ponto fraco no balanço é o crescimento abaixo da média de mercado no crédito com recursos livres. Mas há sinais de melhora. A carteira de crédito a pessoas físicas, com avanço de 18,7% nos 12 meses encerrados em março, exibe desempenho mais favorável que o crescimento de 16,77% ocorrido em 2007. Na mesma base de comparação, a expansão da carteira de crédito a pessoas jurídicas avançou de 17,75% para 21,5%.

Para Maria Fernanda, o crescimento na carteira de crédito reflete o acerto do novo modelo de gestão adotado pelo banco. Em meados de 2007, a carteira de crédito da Caixa começou a crescer a taxas bem menores do que as do mercado, e o banco perdeu market share. A resposta do banco foi, entre outras medidas, criar novas diretorias para cuidar do crédito a pessoas físicas e jurídicas, reunindo operações que antes estavam dispersas entre várias áreas do banco. A Caixa espera que, graças ao rearranjo administrativo, a carteira de crédito cresça 30% neste ano.

O banco também estuda dar alguns novos passos estratégicos, como iniciar operações de leasing, fazer financiamento de bens duráveis e criar uma carteira de investimentos, com participações acionárias. "Com uma diversificação maior, poderemos melhorar os resultados do banco", disse o vice-presidente de finanças da Caixa, Márcio Percival.

Os resultados da reestruturação, segundo ele, estariam aparecendo não apenas nas carteira de crédito, mas também nas captações. O banco teve captação líquida de R$ 2,3 bilhões em caderneta de poupança. No período, os grandes bancos privados tiveram que pagar mais caro nas captações em depósitos a vista. "Os nossos custos médios de captação estão diminuindo", afirmou.

O resultado foi construído também com base na contenção de gastos administrativos e na redução nos custos de inadimplência, afirma o vice-presidente de controle e risco, Marcos Roberto Vasconcelos. A taxa de inadimplência nos empréstimos caiu de 7% para 3,8% nas pessoas jurídicas e de 6% para 5,3% nas físicas. "Em parte, a queda ocorre porque emprestamos para empresas e pessoas com melhor avaliação de risco", diz. "Mas também houve ajuda do ambiente econômico favorável, que aumenta a renda e o emprego e reduz o risco de perda da carteira." 


*Valor Econômico
20/05/2008

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