Caixa volta a ser o 4º maior banco em ativos do país
O aumento na provisão contra inadimplência foi o principal fator que
reduziu em 38% o lucro da Caixa Econômica Federal nos nove primeiros
meses de 2009 na comparação com o mesmo período de 2008.
Em compensação, os ativos cresceram 24%, para R$ 341,9 bilhões, o que
recoloca o banco como o quarto maior do país nesse critério,
desbancando o Santander. Os primeiros são Banco do Brasil, Itaú
Unibanco e Bradesco, nessa ordem.
O lucro líquido da Caixa recuou de R$ 3,27 bilhões nos três primeiros
trimestres de 2008 para R$ 2,03 bilhões no mesmo período deste ano. O
resultado dos três maiores bancos privados --Itaú Unibanco, Bradesco e
Santander--, que reduziram a concessão de crédito nesse período por
causa da crise global, caiu cerca de 8%, em média, na comparação.
Na contramão do setor privado, a carteira de crédito da Caixa cresceu
62% e chegou a R$ 112 bilhões no final de setembro, dentro da política
do governo de utilizar as instituições financeiras públicas para
garantir a oferta de recursos no país. Com isso, a participação da
instituição no sistema financeiro cresceu de 6% para 8,3%.
Com o aumento nos empréstimos, a Caixa teve de elevar em quase 77% a
provisão contra risco de inadimplência, que chegou a R$ 2,5 bilhões,
derrubando o lucro no período. Por outro lado, o aumento de 34% nas
receitas com empréstimos e de 16% no ganho com tarifas ajudou a reduzir
esse impacto. Juntos, esses ganhos somaram mais de R$ 15 bilhões.
O balanço da instituição, que seria divulgado hoje, foi publicado na
internet ontem à noite "por engano", segundo a assessoria de imprensa
do banco.
Apesar do aumento na provisão, o índice de inadimplência geral recuou
de 4,2% para 3,6%. De acordo com a Caixa, tanto em relação aos
consumidores como às empresas, os índices estão abaixo da média do
mercado bancário. Segundo a Caixa, isso se dá porque a alta do crédito
foi acompanhada de uma melhora na qualidade dos devedores. As operações
de menor risco passaram de 68,5% para 74,7% da carteira.
O crédito para pessoa física cresceu 40%, puxado pelo consignado e
pelos financiamentos imobiliários. Já o dinheiro direcionado para
empresas mais que dobrou, avanço de 112%.
Somente no terceiro trimestre, o lucro foi de R$ 870 milhões, ante R$
722,5 milhões registrados no mesmo trimestre de 2008 -alta de 20%. As
contratações em habitação nesses três meses quase dobraram, para R$
13,2 bilhões.
*Folha Online

