Carlos Lima: “Retomar a pujança do movimento sindical”
A categoria bancária celebra em 2012 o aniversário de 20 anos da assinatura da primeira Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Sobre o assunto, entrevistamos Carlos Lima, do Ramo Financeiro da CTB.
Com que perspectiva a CCT chega a essas duas décadas?
É um grande salto porque o que se busca é a unidade dos trabalhadores.
Ter uma convenção coletiva que rege as relações de trabalho em
território nacional é um exemplo de caráter internacional. Isso reflete
diretamente na f
orça da organização. Mas outras questões devem ser enfrentadas nos desafios que temos pela frente.
A categoria bancária foi a primeira a assinar uma CCT. O que possibilitou esse pioneirismo?
Em 1992, nós iniciamos esse processo nacional. Vivemos, em 1980, uma
década redemocratização do País e da constituição e organização nacional
dos bancários. Tivemos uma década de luta e reorganização do movimento
sindical. Foram elementos chave para a convenção dar seus primeiros
passos.
Quais são os atuais desafios?
Tivemos grandes revezes. A década de 90 foi a década neoliberal de
FHC, que destruiu direitos e colocou por terra uma série de conquistas
que tínhamos levantado na década de 80. Houve fragilização do movimento.
Então foi preciso que tivéssemos, em 2002, essa tarefa de reconstrução
da década neoliberal.
Um dos grandes desafios é o de retomar a pujança do movimento
sindical, pois é preciso que enfrentemos e ganhemos o debate das
consciências. Precisamos reconquistar o trabalhador para fortalecer o
sindicato. Além disso, temos de saber enfrentar esse problema das
inovações tecnológicas, que fragilizam o trabalho do bancário e mudam
sua configuração. Apesar de termos grandes conquistas, o segmento dos
banqueiros foi o que mais ganhou nesse período. E por mais conquistas
que tenhamos, ainda não atingimos aquilo que é direito dos
trabalhadores, que é participar dos resultados nesses ganhos. Há
descompassos.
SEEB-VC
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