Centrais se queixam de interferência nos sindicatos na OIT
Seis centrais sindicais vão entregar na
próxima segunda-feira, em Genebra (Suíça), denúncia ao diretor-geral da
OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavia, para
reclamar da interferência do MPT (Ministério Público do Trabalho) e da
Justiça do Trabalho no movimento sindical.
"Em várias regiões do país, os sindicatos estão sendo chamados para
assinar termos de ajustamento de conduta porque os procuradores do
trabalho não consideram adequada a cobrança de taxas de não
sindicalizados. É o caso da taxa assistencial, que é descontada, por
conta da negociação coletiva, uma vez por ano, de quem é sócio o ou não
do sindicato", diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força
Sindical. "Se o não sindicalizado também se beneficia do mesmo reajuste
negociado, por que ele não pode pagar a taxa assistencial?"
Para Força, CUT, UGT, CTB, Nova Central Sindical e CGTB, com a
interferência, o país deixa de cumprir as convenções 98 e 135 da OIT,
que tratam de direito de sindicalização, negociação coletiva e
representação do trabalhador. "Vários sindicatos estão quebrados, sem
sustentação para bancar até o custo de campanhas salariais. Não vemos a
mesma vontade do MPT em fiscalizar entidades empresariais. Para os
procuradores, só tem ladrão do lado dos trabalhadores", diz Paulinho.
Segundo Canindé Pegado, da UGT, a "intervenção" tem ocorrido até em
cláusulas assinadas em acordos negociados entre patrões e empregados.
"Até em questões como o intervalo de descanso entre jornadas o MPT tem
interferido."
A CUT também informa que serão denunciados atentados e assassinato de
sindicalistas. Integrantes de movimentos sociais -do MST e da Contag
(que reúne trabalhadores na agricultura)- também devem participar do
encontro.
Fábio Leal, presidente da ANPT (associação dos procuradores do
trabalho), diz que "não há interferência" nos sindicatos. "O princípio
da liberdade sindical não é absoluto. É relativo porque tem de haver
respeito às leis. Mesmo que uma decisão tenha sido aprovada em
assembleia, tem de respeitar a legislação."
Em relação à cobrança de taxa assistencial de não sindicalizados, ele
afirma: "Há decisões do STF e do TST que determinam que a cobrança de
taxas não seja feita de quem não é sindicalizado".
Luciano Athayde, da Anamatra (juízes trabalhistas), afirma que "a
Justiça atua em questões em que o MPT encontrou inconsistências" e que
os sindicatos já recebem financiamento do imposto sindical. "Os
sindicatos deveriam mostrar sua autonomia financeira."
*Folha/Dinheiro
