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Centrais sindicais fortalecem unidade para fazer frente à crise

Pascoal Carneiro durante entrevista - Foto Láldert Castello BrancoO avanço da crise do capitalismo no mundo e em particular no Brasil, onde já configura séria ameaça às modestas conquistas obtidas pela classe trabalhadora ao longo dos últimos quatro anos, está contribuindo para fortalecer a unidade do movimento sindical brasileiro. Isto foi notado durante a reunião realizada em São Paulo nesta segunda-feira pelas seis maiores centrais sindicais (CTB, CGTB, CUT, FS, Nova Central e UGT), conforme salientou o secretário geral da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Pascoal Carneiro, que concedeu ao nosso portal a seguinte entrevista a respeito do tema:

P- Como foi a reunião das centrais?

R- Participaram dirigentes das seis centrais brasileiras mais representativas. Fechamos um documento sobre a crise (intitulado Documento Unitário das Centrais Sindicais ao Presidente Lula, à Sociedade e aos Trabalhadores) que aponta os riscos para a economia nacional e elenca uma série de medidas que, a nosso ver, são necessárias para enfrentar a turbulência que vem lá dos Estados Unidos, coração do sistema capitalista e imperialista mundial, sublinhando a preocupação de proteger a classe trabalhadora, que nesses momentos é quem mais sofre. 

P- Que medidas foram sugeridas?

R- O documento assinala que todo e qualquer recurso público destinado aos empresários deve ser acompanhada de contrapartidas sociais, sendo a mais importante a estabilidade no emprego. Entre outras iniciativas, sugere a ampliação da intervenção do Estado na economia, diminuição do tempo de trabalho sem prejuízo para os salários, ratificação da Convenção 158 da OIT, a redução dos juros e do superávit fiscal, a democratização do Conselho Monetário Nacional, implementação de políticas econômicas anticíclicas com base nos recursos públicos, utilização dos fundos dos trabalhadores (FGTS e FAT) em empreendimentos habitacionais e apoio de instituições financeiras como o BB, BNDES e CEF, garantia da continuidade da valorização do salário mínimo, desoneração da cesta básica, correção da tabela revisão das alíquotas do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Fisica), retirada de todos os projetos de lei com medidas de flexibilização das relações trabalhistas que tramitam no Congresso Nacional. Cabe destacar a necessária ampliação do prazo de validade do seguro desemprego para seis meses e, por sugestão da CTB, a extensão deste benefício para os assalariados agrícolas contratados para o plano de safra.

P- As centrais pretendem se reunir ainda esta semana com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para debater o tema?

R- Sim, uma das decisões da reunião, adotada por unanimidade, foi precisamente a de agendar uma reunião com o ministro Lupi ainda nesta semana e agilizar o encontro com o presidente Lula e os ministros da área econômica. Lula já se comprometeu publicamente com tal reunião. A crise já não é mais uma ameaça, é uma realidade dramática para a classe trabalhadora. O desemprego já está atingindo várias categorias. Multiplicam-se as férias coletivas, PDVs (Planos de Demissão Voluntária) e mesmo as demissões. O setor de homologação dos sindicatos alterou a rotina e está saturado. Precisamos implementar urgentemente medidas que resguardem o emprego, principalmente a ratificação da Convenção 158 da OIT, que impede as demissões sem justa causa.

P- Quais são os ramos e categorias mais afetadas pela crise até o momento?

R- Até agora a crise atingiu mais fortemente os operários da construção civil, metalúrgicos e assalariados agrícolas. Os empresários do campo reduziram o plano de safra, antes o ramo de hortifrutigranjeiro trabalhava com duas safras anuais e agora se limita a uma.

P- A reunião fortaleceu a tendência de unidade das centrais na ação sindical?

R- Este foi o saldo mais importante da reunião, em minha opinião. Os dirigentes das centrais estão percebendo que não adianta ficar nas lutas específicas das categorias, é indispensável sair do varejo e lutar no atacado, participando das grandes lutas políticas. Por isto, as centrais estão decididas a construir um fórum permanente para discutir políticas públicas em benefício dos trabalhadores e influenciar de fato na definição da peça orçamentária da União. A idéia é realizar reuniões mais regulares e penso que devemos pensar mais alto e avançar na direção da realização de uma nova Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) para unificar o movimento sindical e suas bases com vistas à luta por um projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho e a uma participação unitária nas eleições de 2010.

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