Com manobra e violando o regimento, chapa da oposição é eleita para comissão do impeachment
Clima tenso na Câmara dos Deputados: a votação para eleger a comissão que vai analisar o impeachment começou às 17h30 após manobra regimental do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que permitiu que a eleição ocorresse com voto secreto.
Duas chapas foram formadas, a chapa 1 pró-Dilma, com 49 deputados, e a chapa 2, da oposição, com 39, entre eles Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), e formada, em sua maioria, por deputados da oposição e dissidentes da base aliada
No plenário lotado e agitado, parlamentares se manifestavam com gritos de "vai ter impeachment" e também de "não vai ter golpe". Ao final, a chapa da oposição venceu 272 contra 199 votos.
A comissão deverá ter 65 membros titulares e 65 suplentes. As vagas remanescentes, que não foram ocupadas pela chapa vencedora, serão preenchidas em nova votação, que deverá ocorrer amanhã (9). Faltam escolher 26 deputados titulares e 42 suplentes.
O bloco encabeçado pelo PMDB tem ainda quatro vagas de titulares e 14 de suplentes para serem ocupadas. O bloco liderado pelo PT terá que preencher ainda 15 vagas de titulares e 17 de suplentes. O bloco da oposição, liderado pelo PSDB, que organizou a chapa vencedora junto com outros partidos da oposição e insatisfeitos com a composição da chapa 1, terá de preencher uma vaga de titular e cinco de suplentes.
A deputada Jandira Feghali questionou a votação secreta e criação de "chapa avulsa", afirmando que ambos procedimentos são inconstitucionais. "Voto secreto? Por que vocês não votam com a digital, não votam aberto? Têm medo da sociedade brasileira? Tenham coragem de admitir o seu voto (...) negociar debaixo do pano, articular nos bastidores?", disse a parlamentar em discurso logo após a votação.
O PCdoB entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando as medidas encaminhadas por Cunha. "Entramos com duas medidas que chamam-se "incidental" no mundo jurídico, que é exatamente questionando o voto secreto e a chapa avulsa. É preciso impedir mais um golpe à democracia brasileira", disse Jandira.
STF confirma: julgamento da ação do PCdoB contra a abertura de processo de impeachment está marcado para o dia 16.
Portal CTB, com informações de Ruth de Souza, de Brasília
