Comércio vai bem, obrigado, mas patrões demitem
As vendas não caíram. Continuaram em alta, embora num ritmo mais lento. Isto não impediu as demissões em massa no setor. Entre dezembro de 2008 e março de 2009 foram fechados 85.845 postos de trabalho. Os patrões condenaram dezenas de milhares ao olho da rua para reduzir os custos e maximizar os lucros, segundo a conclusão do Dieese.
Evolução
Depois de um período muito positivo nos três primeiros trimestres de 2008, a dinâmica do comércio se alterou no último trimestre de 2008, com diminuição do ritmo de crescimento das vendas e das receitas em consequência da crise econômica internacional. Os vários segmentos do comércio apresentaram comportamento diferenciado. No entanto, apesar da redução no resultado do último trimestre de 2008, o volume de vendas continuou positivo mesmo com o agravamento da crise.
O resultado relativamente positivo, que evitou uma queda da atividade (como a verificada na indústria), é atribuído pelos analistas principalmente ao fortalecimento do mercado interno ao longo dos últimos anos, promovido principalmente pela valorização do salário mínimo e criação e ampliação do Bolsa Família.
Demissões
O desempenho da economia interferiu também no emprego no setor do comércio. Somente em janeiro de 2009 as demissões superaram 50 mil trabalhadores, mais que o dobro das realizadas em igual mês nos anos 2007 e 2008 somados. Em abril de 2009, ainda que timidamente, o setor recomeçou a contratar.
Esta movimentação no mercado de trabalho indica que mais do que simplesmente ajustar o nível de emprego frente aos efeitos da crise no Brasil, o comércio parece aproveitar o momento para ajustar as suas operações através da demissão dos empregados, reduzindo custos e aumentando os lucros. Esta, por sinal, aparenta ser uma prática observada não apenas no comércio, mas em todos os setores da economia.
(Portal CTB, com Dieese)
