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Comércio vai bem, obrigado, mas patrões demitem

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos) divulgou nesta terça-feira (4) uma nota técnica sobre o comportamento do mercado de trabalho do comércio durante a crise, onde conclui que a recessão global não chegou a jogar o setor para o terreno negativo, como ocorreu com a indústria.
As vendas não caíram. Continuaram em alta, embora num ritmo mais lento. Isto não impediu as demissões em massa no setor. Entre dezembro de 2008 e março de 2009 foram fechados 85.845 postos de trabalho. Os patrões condenaram dezenas de milhares ao olho da rua para reduzir os custos e maximizar os lucros, segundo a conclusão do Dieese.

Evolução

Depois de um período muito positivo nos três primeiros trimestres de 2008, a dinâmica do comércio se alterou no último trimestre de 2008, com diminuição do ritmo de crescimento das vendas e das receitas em consequência da crise econômica internacional. Os vários segmentos do comércio apresentaram comportamento diferenciado. No entanto, apesar da redução no resultado do último trimestre de 2008, o volume de vendas continuou positivo mesmo com o agravamento da crise.

O resultado relativamente positivo, que evitou uma queda da atividade (como a verificada na indústria), é atribuído pelos analistas principalmente ao fortalecimento do mercado interno ao longo dos últimos anos, promovido principalmente pela valorização do salário mínimo e criação e ampliação do Bolsa Família.

Demissões  

O desempenho da economia interferiu também no emprego no setor do comércio.  Somente em janeiro de 2009 as demissões superaram 50 mil trabalhadores, mais que o dobro das realizadas em igual mês nos anos 2007 e 2008 somados. Em abril de 2009, ainda que timidamente, o setor recomeçou a contratar. 

Esta movimentação no mercado de trabalho indica que mais do que simplesmente ajustar o nível de emprego frente aos efeitos da crise no Brasil, o comércio parece aproveitar o momento para ajustar as suas operações através da demissão dos empregados, reduzindo custos e aumentando os lucros. Esta, por sinal, aparenta ser uma prática observada não apenas no comércio, mas em todos os setores da economia.

(Portal CTB, com Dieese) 
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