Logo

Concessão de crédito no país cresce pela 1ª vez no ano

As novas concessões de crédito no Brasil registraram em março a primeira expansão desde dezembro, mas a inadimplência média voltou a subir, mostraram números do Banco Central nesta quinta-feira.

As concessões de crédito com recursos livres, que excluem empréstimos cujas taxas são fixadas por programas governamentais, cresceram 26,1 por cento no mês passado ante fevereiro, para 155,7 bilhões de reais.

Considerando a variação pela média diária, a alta foi de 7,7 por cento.

"O crédito está voltando à normalidade, mas ainda não voltou a sua plenitude", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a jornalistas.

Ele destacou que os dados até março ainda indicam que o crescimento do crédito segue muito concentrado em bancos públicos.

De setembro a março, o estoque total de crédito nos bancos públicos subiu 18,3 por cento, enquanto o dos bancos privados nacionais subiu 1,5 por cento e o dos bancos estrangeiros, 3,5 por cento.

A avaliação do BC é que esse movimento passe a ser mais disseminado entre os bancos a partir de meados de abril, após a entrada em vigor de medida que ampliou as garantias dadas aos depósitos bancários com recursos do Fundo Garantidor de Crédito.

Em março, o estoque total das operações de crédito no país cresceu 1 por cento frente a fevereiro e somou 1,241 trilhão de reais, o equivalente a 42,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 41,8 por cento do PIB em fevereiro.


INADIMPLÊNCIA EM ALTA


A inadimplência no país subiu pelo quarto mês consecutivo em março, de 4,8 por cento em fevereiro para 5,0 por cento --a mais elevada desde novembro de 2006 (5,1 por cento).

O movimento refletiu uma elevação da inadimplência das empresas. Entre as pessoas físicas, a inadimplência recuou, ligeiramente, pela primeira vez desde setembro e ficou em 8,3 por cento, frente a 8,4 por cento em fevereiro.

Altamir atribuiu a alta média da inadimplência à dificuldade das empresas e das famílias em rolarem seus empréstimos --que vinham crescendo a taxas elevadas antes do agravamento da crise.

Ele afirmou que, com a volta do crédito, a tendência é que a inadimplência caia.

"É preciso dar tempo para que as empresas e as famílias reprogramem seus créditos", afirmou.

No mês passado, o spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes, recuou 1,2 ponto percentual, para 28,5 pontos percentuais. Foi a terceira queda mensal consecutiva do spread.

A taxa média de juros cobradas pelas instituições financeiras ficou em 39,2 por cento em março, frente a 41,3 por cento em fevereiro, o quarto mês consecutivo de queda.

Para as empresas, a taxa média recuou para 28,9 por cento, ante 30,9 por cento, enquanto para pessoas físicas, ela caiu para 50,1 por cento, em comparação a 52,6 por cento.


Por Isabel Versiani

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.