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Conferência inicia Campanha Salarial na Bahia e Sergipe

conferenciaxA Campanha Salarial 2008, nos estados da Bahia e Sergipe, teve início no último sábado (05/07), na X Conferência Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Financeiro, que aconteceu no auditório da Faculdade Visconde Cayru, em Salvador. Cerca de 191 delegados, sendo 149 homens e 42 mulheres, presentes dos sindicatos filiados da FEEB-BA/SE (Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe) debateram temas de interesses da categoria como a conjuntura política e econômica atual e as diretrizes e estratégias para a campanha salarial deste ano, que serão apresentadas na Conferência Nacional.

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Entre as principais reivindicações aprovadas, estão os reajustes no valor do tíquete-refeição, de forma a elevá-lo para R$ 20,00 e a cesta alimentação para R$ 500,00; redução da jornada de 30 para 25 horas semanais; e isonomia nos bancos públicos. Na Conferência, foram aprovadas também a delegação para representar os bancários da Bahia e Sergipe na Conferência Nacional; o documento da Comissão Nacional de Empresa dos Funcionários do ABN Amro Real que trata da questão da incorporação/fusão com o Santander; e as moções de repúdio contra a demissão do sindicalista Dirceu Travesso da Nossa Caixa em São Paulo e contra o corte pela Caixa dos dias parados na greve do ano passado e o descomissionamento do gerente empresarial do banco em Sergipe. Na abertura da Conferência, ocorreu o lançamento da nova identidade visual da Federação, em comemoração aos 40 anos de fundação da entidade.


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Conjuntura


Sobre Conjuntura, o palestrante foi o deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB-BA), que traçou um panorama do processo de financeirização da economia do país e observou os retrocessos e avanços do Governo Lula. Para Álvaro, a financeirização da economia prejudica a produção, estimula a especulação financeira e apenas beneficia os bancos com seus lucros exorbitantes. O pior que o Governo Lula não ataca os interesses do Sistema Financeiro. "O Governo Lula precisa reduzir o império dos bancos em favor dos trabalhadores e de toda a população. É preciso resistência, mobilização, contra os mais poderosos do país", defende Gomes.


Apesar da omissão em relação aos bancos, Álvaro Gomes destaca que há avanços importantes no Governo Lula na área social. São projetos sociais, como o Bolsa Família, que têm reduzido mesmo de forma tímida as desigualdades sociais e a concentração de renda. Gomes também relacionou o aumento da violência em nosso país com a implantação das políticas neoliberais, que levaram a uma maior desigualdade social. Para o deputado, repressão apenas não combate a violência, mas a utilização de penas alternativas e a busca de justiça social.



Cenário econômico


O economista Adriano Almeida (DIEESE-BA) fez uma explanação na Conferência sobre o cenário econômico no Brasil e no mundo, destacando principalmente a questão da inflação na atualidade. Adriano afirmou com ênfase que a inflação no momento em nosso país é cambial e não de demanda interna, ou seja, ocasionada pela influência externa através dos produtos importados e exportados e da demanda chinesa.


Almeida lembrou que os bancos viviam da inflação e agora, com a alta ou a queda da taxa Selic, ganham da mesma forma através do spread bancário, a diferença entre a Selic e os juros realmente cobrados, e o aumento das taxas de serviços. De setembro/1994 a dezembro/2007, o índice de inflação INPC foi de 225,22% e enquanto a lucratividade dos bancos cresceu 2.129,72%. Além disso, as receitas com as taxas de serviços aumentaram 1.041,85%, cobrindo totalmente as despesas com pessoal.



Campanha Salarial 2008


O presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Eduardo Navarro, salientou na Conferência que os trabalhadores devem fazer uma campanha salarial mais unificada, mas levando em contra as especificidades de cada banco, principalmente, as perdas salariais nos bancos públicos. É necessário unir as forças dos bancos privados e públicos e construir uma negociação unitária e unificadas com as representações das várias centrais sindicais.


Para Eduardo, nesta campanha salarial é preciso deixar claro para a sociedade que existe uma orientação mais avançada no Governo Lula, mas que prevalece uma política econômica que privilegia os bancos em detrimento dos trabalhadores. Além disso, lutar pela reposição das perdas salariais nos bancos privados e públicos; pela valorização do piso salarial de ingresso nos bancos; correção do tíquete alimentação para se contrapor à inflação dos alimentos e discutir qual o papel social que os bancos públicos devem exercer.

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