Copom deve reduzir Selic pela sétima vez seguida na quarta-feira
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) do
Brasil deve reduzir nesta quarta-feira (30/5) pela sétima vez
consecutiva sua taxa básica de juros (Selic), dos atuais 9% a um mínimo
histórico de 8,5% ao ano, com a meta de impulsionar o magro
crescimento econômico em um contexto de crise internacional, segundo
analistas.
O governo da presidente Dilma Rousseff reduziu
recentemente sua estimativa de crescimento de 4,5% para 4% em 2012,
segundo um documento apresentado diante do Senado pelo ministro da
Fazenda, Guido Mantega, um dia depois de lançar uma nova bateria de
medidas para impulsionar a economia.
"Estamos prevendo um corte
de 0,5 ponto percentual para amanhã", afirmou Marcelo Solomon,
economista para a América Latina do banco de investimento Barclays.
"Estão
preocupados com o crescimento. Estão tomando uma série de medidas que
demonstram que as coisas não estão indo bem", disse por sua vez Eduardo
Velho, economista-chefe da corretora Prosper, que prevê uma redução de
meio ponto percentual, apesar de não descartar "uma surpresa" após a
reunião do comitê.
"Se houver um corte de 0,75 ponto percentual,
não será uma decisão unânime", disse Velho à AFP, apesar de afirmar
que para o final deste ano a taxa básica poderá ficar abaixo de 8% ao
ano.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom)
iniciará a reunião na tarde desta terça-feira. Ela será concluída na
quarta-feira após o fechamento dos mercados.
Desde agosto
passado, o órgão cortou de 12,5% ao ano para 9% ao ano a taxa de
referência em um país que manteve altíssimas taxas de juros para lutar
contra a hiperinflação das décadas de 1980 e 1990, mas que agora está
preocupado em impulsionar o crescimento.
O banco Goldman Sachs
afirmou que é provável uma redução de 0,5 ponto na taxa de referência
"mais do que um agressivo 0,75" ponto, depois de terem sido divulgados
dados de inflação "longe da comodidade" e após a recente queda do real
frente a um dólar muito fortalecido nos mercados internacionais.
A
inflação disparou para 6,5% em 2011, e o Banco Central espera que este
ano fique no centro da meta oficial de 4,5%, apesar de em abril ter
chegado a uma alta de 5,1% em 12 meses. Nos primeiros quatro meses de
2012, a inflação acumulada é de 1,87%.
A crise na Europa e uma
perspectiva de desaceleração na China, o grande comprador de
matérias-primas brasileiras, gera dúvidas sobre o desempenho da sexta
maior economia do mundo este ano, após uma expansão de apenas 2,7% em
2011 depois de um vigoroso 7,5% no ano anterior.
Segundo Velho, "está muito difícil chegar inclusive a 3%" de crescimento do PIB, a cifra que o mercado prevê para 2012.
Fonte: Correio Braziliense
