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Crise recoloca na ordem do dia a luta pelo socialismo e defesa do meio ambiente

As crises que assolam o mundo (econômica, ambiental, energética e alimentar) evidenciam os graves problemas e limites do capitalismo e recolocam na ordem do dia a luta pela socialismo. Esta foi uma das conclusões do seminário sobre "a crise capitalista e o meio ambiente", realizado quinta-feira (4) na sede da CTB (Central Única dos Trabalhadores e Trabalhadoras) em São Paulo.

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Pascoal Carneiro, Gilda Almeida, Aldo Arantes e Neilton Fidelis da Silva.

Aberto pela secretária de Defesa do Meio Ambiente, Gilda Almeida, e pelo secretário geral da CTB, Pascoal Carneiro, o evento foi marcado pelas palestras do diretor da Fundação Instituto Maurício Grabois, Aldo Arantes, e o assessor técnico do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Neilton Fidelis da Silva. Ambos convergiram no diagnóstico das crises ao identificar no modo de produção capitalista a responsabilidade pelos problemas.

Gilda Almeida disse que o seminário "foi uma iniciativa exitosa. Demos o pontapé inicial na abordagem deste tema, que tem uma relevância extraordinária para o movimento sindical. É uma questão que também está relacionada ao ambiente do trabalho, marcado por precárias condições. A CTB precisa se preocupar mais com este problema. A CTB tem que ter opinião sobre os diversos temas relacionados ao meio ambiente, como energia nuclear, transgênicos e transposição do Rio São Francisco, desenvolvendo um ponto de vista classista coerente com o projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho."

No coração do capitalismo

De acordo com Aldo Arantes "o mundo vive a mais grave crise do sistema capitalista desde 1929. É uma crise sistêmica, que não se restringe a um setor da economia e que, além disto, atingiu o coração do sistema capitalista mundial, os EUA, a União Européia e o Japão". Os capitalistas procuram jogar o ônus da crise sobre as costas da classe trabalhadora, demitindo em massa e reduzindo salários e direitos. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) prevê que até 2010 cerca de 51 milhões de pessoas deverão engrossar o exército de desempregados no mundo, que já soma mais de 200 milhões.

"A crise desmoralizou a ideologia neoliberal, que preconizava o fim da intervenção do Estado nas economias e a completa liberdade dos mercados, que teoricamente seriam autorreguláveis. Agora fazem o oposto, utilizando dinheiro público para salvar bancos e grandes empresas. A GM receberá 50 bilhões de dólares do governo Obama e promete demitir em massa", salientou Arantes. Ele acentuou que, graças às medidas anticíclicas adotadas pelo governo Lula, a crise afetou o Brasil, mas não é tão grave por aqui como nos centros do sistema imperialista (EUA, Japão e União Européia).

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Aquecimento global

Segundo Arantes, o problema ambiental ganhou nova dimensão e qualidade com a emergência do aquecimento global, "que coloca em risco o futuro da humanidade". O problema não decorre de causas naturais, mas da ação humana, e terá desdobramentos sérios com o derretimento das geleiras, elevação do nível do mar e desaparecimento de ilhas.
Ele também apontou uma tensão entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento, afirmando que o desafio dos movimentos sociais e das forças progressistas é defender um modelo econômico que compatibilize desenvolvimento com a integridade do sistema ecológico. "Não queremos desenvolvimento a qualquer custo, mas tampouco queremos desenvolvimento zero, como pregam alguns ambientalistas. Precisamos combinar o crescimento da economia com a preservação ambiental", sustentou.

Marco

Para Neilton Fidelis da Silva, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o marco da questão ambiental é a revolução industrial ocorrida na Inglaterra a partir do final do século XVIII, que viabilizou a expansão do modo de produção capitalista. Neste sentido, ele concordou com a opinião de Aldo Arantes de que a causa maior do problema é o sistema capitalista.

"A crise marca a derrocada do modelo de globalização neoliberal", acentuou. Citando frases de Karl Marx ("toda a riqueza material, o mundo dos valores de uso, consiste exclusivamente em materiais naturais modificados pelo trabalho"), Fidelis da Silva explicou que o aquecimento global é um fenômeno associado ao uso de energias fósseis e a responsabilidade maior cabe às economias capitalistas mais avançadas reunidas na chamada OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, composta pelos 30 países capitalistas mais ricos do planeta), que respondem por nada menos que 48,5% do consumo mundial de energia. O problema é, portanto, da organização capitalista e imperialista da produção e sua solução depende sobretudo de mudanças que devem começar pelo chamado 1º mundo.

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(Portal CTB)
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